Comentando: Dreamfall Chapters – Book 2

Chegou agora? Leia sobre o Book 1 aqui!

Cinco meses após o lançamento do primeiro episódio, para esta segunda parte eu poderia meio que resumi-la mais ou menos assim: É maior, mais ambicioso, tem mais escolhas relevantes pra fazer e, ao mesmo tempo, traz problemas que ou são novos, ou já eram conhecidos e vieram incomodando mais do que em seu antecessor.DC book 2 marcuria

Book 2: Rebels

Sensivelmente ferido pelo comandante Vanom, Kian Alvane aparece passando por uma luta interna, próximo da morte. Agora dentro de uma base dos rebeldes anti-Azadi, ele está sob os cuidados de Na’ane. Quando consegue se levantar, conversa com Likho, um guerreiro Dolmari outrora amante de April e imerso de ódio pelo ex-apóstolo e uma “pastora” Samare, sem dúvidas bem mais gentil. Após explicarem a situação crítica da resistência, Kian praticamente não tem outra escolha que não seja se juntar a eles – a contra-gosto ou não. É a partir deste ponto que você passa a ter um punhado de missões pra fazer em Marcuria, com a novidade de que elas podem ser feitas na ordem que quiser [1]. E é também onde começa os problemas.

Bip se encontrando com Kian após uma tentativa de roubo.

A cidade, assim como Europolis, possui um mapa espalhado em alguns pontos – e o ambiente é tão aberto quanto, diferente das ruas lineares em Dreamfall. Você até tem uma cópia dele, mas a única marcação nele é pra uma missão específica: saber a trilha que um mensageiro faz, ad infinitum, com o propósito de impedi-lo. Bom, às vezes sou só eu, mas tive uma tremenda dor de cabeça com o mapa. Fui do lado oposto de onde queria ir várias vezes, de tanto que confundia o ângulo da minha posição com o que o mapa representava. Tive um problema parecido no Book 1, mas com as diferenças de andares de Propast, que não eram lá muito bem explicadas ao consultar aquela ave chata do Crowboy, dessa vez com uma voz muito diferente do Book 1 pra linhas novas de diálogo.

Aí temos os puzzles. Ah, os puzzles. Foi uma das minhas maiores críticas no Book 1 e não posso afirmar que a situação melhorou muito. Inclusive, um dos motivos pelos quais o Book 2 dura mais tempo que o primeiro é por causa deles [2], mas não exatamente por razões nobres – é mais porque te deixa preso mesmo.

A título de exemplo, há um momento em que você deve fazer um lance mezzo stealth (!), que é destruir um punhado de armamentos dos Azadi e, ao mesmo tempo, ficar se escondendo de um guardinha que fica indo e voltando na mesma linha antes de conseguir explodi-los. O problema é que foram várias as vezes em que o cara me via num ângulo extremamente improvável. A punição de ser visto resume-se a ficar um par de metros longe do portão de entrada. É algo ínfimo, mas irritante o suficiente após repetir algumas vezes seguidas – e a própria estrutura da missão a deixa enfadonha de executar.

Outro caso é quando Kian deve descobrir um traidor dos rebeldes ao ir em uma reunião privada. Pra fazer isso, primeiro você deve se aproximar de todo mundo pra analisar o cheiro de cada ou como está respirando… enquanto ninguém te estranha por ficar zanzando o tempo todo. Depois você precisa descobrir onde essa gente toda está e acusar a pessoa escolhida de traidor. Tanto a análise quanto a localização dos participantes é simplesmente confusa, ocorrendo em boa parte na base da tentativa e erro. O pior ainda estaria pra vir, em Propast, mas acho que já spoilei muito. Resumidamente, a parte “jogo” de Chapters ainda está meio desajeitada e bem desagradável no geral. Se não fosse pela história em si, e mais ainda pelos personagens carismáticos e seus diálogos, muito pouco valeria a pena no jogo.

Falando em personagens, há alguns novos dignos de atenção, como Bip, uma criança Dolmari que ajuda Kian em algumas missões; Enu, uma jovem fazendeira Zhid que não consegue calar a boca pra fazer comentários constrangedoramente hilários (ainda que claramente concebida pra ser o alívio cômico do jogo); General Mir e a mãe da irmã Sahya, desconfiadíssimos das mentiras contadas por ela e por Vanom quanto ao paradeiro de Kian… Enfim, o andamento dos acontecimentos está trazendo altas tretas e ainda tem muita coisa pra resolver, personagens misteriosos à sombra, decisões impactantes no final, etc. Por isso, mesmo com falhas tão incômodas quanto no começo, continuo otimista com Dreamfall Chapters no geral. Rola até uma decisão essencialmente ética numa hora, a qual será impossível agradar Enu e Likho ao mesmo tempo com o que quer que você escolha.

Isto posto, que venha Book 3: Realms!

zoe castillo rain

[1] E agora dá até pra desativar aqueles avisos irritantes de quando suas decisões anteriores afetavam os rumos da história. Pessoalmente, preferiria uma abordagem apenas menos berrante, como a solução de Life is Strange: discreta, simples e elegante. Mas é uma boa alternativa pra quem não quer ficar com a tentação de voltar atrás.

[2] O pior é ter visto gente batendo palma pra essa duração maior, o que me incomoda profundamente. Priorizar quantidade sobre qualidade é simplesmente absurdo. Sob esta lógica brilhante, é como gostar mais de um filme por durar três horas, não porque ele aproveita bem o tempo que tem.

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