Comentando: Batman – Arkham Asylum

batman AA screenshot bruce

Um dos melhores momentos do jogo.

Nunca consegui me interessar muito por super-heróis e em suas intermináveis revistas com inúmeros universos alternativos, com N variações dos uniformes e feitos pelas mãos de trocentas pessoas diferentes. Quando criança, lembro que meu pai guardava várias revistinhas do Superman em uma caixa, mas quem disse que ele me deixava lê-las, de fato? Sendo assim, tive um contato restritíssimo com quadrinhos do gênero, e só ano passado peguei emprestado um encadernado da Elektra Assassina. De bátima, só sabia que era um playboy maluco vestido de morcego (detalhe abundante nas magistrais chacotas do Coringa) que não matava ninguém, só descia o cacete nos bandidos.

Arkham Asylum, felizmente, não negligencia as pessoas alheias às suas décadas de existência e, além de apresentar o morcegão muito bem, também conta brevemente, através de fichas de personagens, o histórico de vários vilões (sendo os mais importantes aprofundados em fitas de gravação) e outros personagens mezzo secundários. Além de dar, é claro, informações bastante relevantes como… a cor dos olhos. Mais importante, AA é bom o suficiente para estimular a chegada de novos fãs do protagonista – ao menos, no mínimo, dos seus jogos recentes.

“AA foi um jogo bastante incrível no seu ano de lançamento” foi basicamente o que ouvi de dois amigos. Meu conhecimento de jogos baseado em super-heróis é tão pífio quanto das HQ’s em si, mas com os Supermen 64 da vida, não duvido do seu impacto da época. É realmente bacana ver sua pesada influência em títulos posteriores, como Remember Me, e ver de como temos mais jogos licenciados de qualidade em comparação a 2009.

Mas, apesar do jogo ter me interessado o suficiente para continuá-lo, não gostei taaaaanto de AA quanto acreditava baseando-me na enxurrada de elogios que vi do título. No começo, em especial, sofri pra entender o sistema de combate do bátima. Ele não é tão fluído até você fazer um número mínimo de combos (8 ou 5, dependendo dos upgrades que pegar) e é surpreendentemente fácil perder o fio da meada se não estiver BEM consciente do que está fazendo. Eu já estava me aborrecendo por ter o combo interrompido só de contra-atacar desajeitadamente, em especial porque a única maneira de recuperar vida é ganhando pontuação por uma troca de sopapos bem-feita (que, aliás, tem a ideia sensacional de te mostrar uma cutscene em slow motion do Batman nocauteando o último inimigo tanto como recompensa quanto por sinalizar o fim de uma luta).

No geral, o jogo é, de fato, mecanicamente bem-feito. Gostei da visão detetivesca, apesar daquele treco te viciar rápido – principalmente se você quer pegar os coletáveis do cenário -, dos “poderes” em forma de dispositivos do morcegão, da maneira que ele plana quando se joga de uma grande altura (e quando não morre por cair fora do cenário pré-programado), etc. Fizeram até mesmo o trabalho de mostrar a roupa do Batman se desgastando gradualmente, quase como “marcas da guerra” para lembrar de seu heroísmo na luta contra o crime. Há até uma certa humanização sob este contexto.

Joguinho, por que tu me mostra uma parede que não posso quebrar agora? Não faz isso comigo >_<

Uma coisa que me chateou um pouco foi o aspecto pseudo-metroidvania dos coletáveis. Existem locais que você só conseguirá alcançar com bat-engenhocas específicas das quais Batman se lembrará de pegá-las SOMENTE quando a história exigir para progredir (e não há sequer a desculpa de “não tem onde carregar”, por exemplo). Como alguém cuja mão coça pra cada coletável que vê, essas limitações forçadas e artificiais me incomodaram substancialmente e a linearidade do jogo, embora não atrapalhe (até por ser semi-aberta em alguns lugares) e acabe rolando backtrack obrigatório mais próximo do final, o incentivo de explorar não é tão grande assim. Além disso, me deparei com cenários repetitivos em termos de abordagem; mais especificamente, de você voar de um lado para o outro usando gárgulas. Certo, também dá pra se esgueirar pelos tubos de ventilação e explorar outros andares em alguns casos, mas acho que poderia ter rolado ligeiras mudanças eventuais, como fizeram numa hora em que o Coringa manda plantar explosivos nelas. (Uma mudança mecânica mais radical e um salto de dificuldade se você não souber o que fazer, mas é um exemplo anyway)

Quanto à história, eu juro que tentei me importar com ela no começo, mas não deu. Não me prendeu e acontece umas coisas meio questionáveis, embora não muito impressionáveis quando você lembra que é sobre um super-herói, afinal. Ela provavelmente faria mais sentido se eu lesse e gostasse da HQ, mas isoladamente, sem o suporte de fanservice, no geral achei bem qualquer coisa. A exceção mora nas excepcionais cenas com o Espantalho e seu gás do medo e PRINCIPALMENTE quando você presencia a morte dos pais de Bruce. O cenário surreal é muito bem construído e a empatia pelo personagem é muito grande. Essa parte é indubitavelmente memorável e penso que seja um marco narrativo dentro dos jogos eletrônicos.

Em suma, tirando alguns problemas do aspecto “jogo” e do plot, somado às minhas noobices constantes, Batman: Arkam Asylum é, realmente, um belo jogo, e que certamente continuará sendo lembrado e jogado por mais alguns anos além do que já se passou. Ele merece, em especial quando comparamos com seus conterrâneos mais recentes, que nem sempre conseguiram mimetizar efetivamente a fluidez do combate (quando o é).

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2 comentários sobre “Comentando: Batman – Arkham Asylum

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