Comentando: Dreamfall Chapters – Book 1

Dreamfall Chapters é uma continuação direta de Dreamfall, que, por sua vez, continua a história de The Longest Journey. Se você não sabe ou não leu nada sobre os dois jogos anteriores, recomendo fortemente que o faça antes de prosseguir, especialmente se você tiver alergia a spoilers e não quer perder tanta nuance. Caso tenha jogado e queira uma recapitulação rápida de tudo, eis um vídeo (inglês) do próprio estúdio.
dreamfall chapters zoeChapters é mais um fruto bem-sucedido do Kickstarter e, por ora, é o único jogo que saiu entre os quais sou backer (e o único projeto que fiz questão de ler todo santo update). Não pude conter minha euforia quando noticiei aqui no blog e posso garantir que, até agora, está valendo a espera. A ideia original era lançá-lo como um jogo inteiro, mas pra não adiar a data de lançamento (novembro do ano passado) e nem cortar nenhum conteúdo, ampliado devido aos stretch goals, eles tomaram uma decisão parecida da Double Fine com Broken Age: adotaram o modelo episódico, fazendo jus ao título.

Geralmente eu espero sair o jogo inteiro antes de começar a jogar. Mas cara, é Chapters! Se tudo der certo nesse meu ano de TCC, escreverei sobre cada episódio novo que sair. Desejem-me sorte e fiquem ligados! (ಠ‿ಠ)

Book 1: Reborn

Assim como no início de Dreamfall, temos Zoë Castillo em coma e contando de como sua mente tem vivido no Storytime, “onde todas as histórias começam e terminam”. Lá, de alguma maneira, ela adquiriu poderes que a permite socorrer pessoas presas em pesadelos enquanto estão conectadas à Dream Machine, um aparelho que “revolucionaria a indústria do entretenimento”, permitindo que seus usuários tivessem sonhos lúcidos do que quiserem. O problema é que esse dispositivo foi criado por uma empresa sinistra que quer remodelar a realidade através dele. Além disso, seu uso é extremamente viciante, tanto que será comum ver “dream junkies” espalhados pelas ruas de Propast, incapazes de sair do transe sozinhos. Não é à toa que Zoë vê o Dream Machine como uma verdadeira praga: não só vê seu efeito devastador entre as pessoas comuns como também viu, pessoalmente, seus responsáveis nada amistosos.

Após passar por uma série de conflitos internos com seu “eu” antigo (inclusive de um jeito parecido com que April passa na primeira vez que cai em Arcadia), Zoë finalmente acorda. Só que suas lembranças do que fizera em Dreamfall estão estão perecendo e se distorcendo cada vez mais, como afirmar que a menina fantasmagórica dos monitores nada mais foi do que produto de sua imaginação, entre outras coisas.

Paralelamente, temos Kian Alvane na prisão de “Friar’s Keep”, após perder sua função de apóstolo e ser considerado um traidor pelos seus semelhantes, conformado com a morte que virá mais cedo ou mais tarde. Depois de estar encarcerado há um ano, sua execução é repentinamente adiantada pelo comandante Vanom e pela irmã Sahya, governanta e emissária Azadi. Mais tarde, na noite da sua morte, rebeldes invadem a prisão e Kian é libertado de sua cela por um improvável aliado, acreditando que o ex-apóstolo será útil à resistência de Marcuria e também para pagar o débito pelas suas ações anteriores. Mas um problema acaba acontecendo no processo da fuga… E é onde termina a presença de Kian no Book 1. Relativamente breve, mas tem seu impacto.

Voltando para o nosso mundo, Stark, descobrimos a cidade multiculturalista Europolis e acompanhamos Zoë em seu emprego, determinado por uma decisão grande que você faz lá no primeiro capítulo. É, também, a primeira vez em que políticas partidárias são introduzidas na saga, influenciando diretamente na narrativa (os candidatos são todos apresentados aqui). É um acréscimo interessante, tanto por ser um dos meios de nos aprofundarmos na personalidade de Zoë e de outras pessoas quanto por dar uma camada a mais de conflitos.

dreamfall chapters europolis

Uma coisa que me chamou muito a atenção é como a Zoë mudou tanto no feeling da fala tanto durante a análise clássica de objetos/cenários em adventures quanto nos diálogos. Ela está fazendo muito mais piadas, ironias, zoera auto-depreciativa… Até revi parte de Dreamfall pra comparar e, lá, ela costuma ser bem séria na maior parte do tempo. Foi uma mudança muito bem-vinda e Zoë já rendeu várias situações engraçadas – e é um bom motivo pra conhecer o jogo, vai por mim.

Falando em diálogos, Chapters é DENSO nesse aspecto. É tanta informação que acho difícil alguém conseguir captar a maior parte dos eventos num único playthrough. Somado a isso, temos a Telltale fazendo escola, com as mecânicas de escolha-consequência. Aí vai minha primeira crítica ao jogo: a frase FULANO WILL REMEMBER THAT esfregada na tua cara em letras garrafais, mais as vezes, ligeiramente discretas, em que o jogo te avisa quais escolhas resultarão em mudanças mais pra frente. Ah, e no caso de decisões “grandes”, teje brindado com um THE BALANCE HAS SHIFT.

Yep, é tão irritante quanto parece.

Aí temos a jogabilidade. Chapters parece ser um meio-termo entre a caralhada de puzzle/combinação de itens de TLJ e o foco nos diálogos de Dreamfall. Dá pra dizer que ele tem “mais jogo” que seu antecessor; e isso porque as mecânicas de combate e stealth foram totalmente excluídas, grazadeus! Rola até combinação de uma vassoura com um travesseiro, mas sem aquela lógica bizarra e super imaginativa tão familiar de adventures oldschool. Dos puzzles, tanto o que você faz no Storytime quanto no Friar’s Keep são ok, ao contrário dos que aparecem em Europolis. Nas duas profissões em que Zoë pode fazer, ambas envolvem robôs e são quase igualmente horríveis. Após comparar o que não escolhi olhando vídeos, concluí que fiz o pior puzzle do jogo. Não quero spoilar muito, mas pensa numa série de tarefas absolutamente chatas usando uma lata-velha chamada apropriadamente de Shitbot pela sua atual proprietária, Mira.

Tipo isso

Independentemente das falhas, Chapters brilha enquanto conjunto da obra e eu ainda estou bem otimista com os Books que ainda estão por vir. O esforço da Red Thread Games é visível quanto a dar uma continuação digna da saga: a busca por um equilíbrio entre o peso do gameplay com a narrativa, a qualidade técnica (como as animações dos personagens muito, MUITO melhores do que antes) e artística. Vale muitíssimo a pena ouvir a trilha sonora, muito mais única e memorável que seu predecessor:

Que venha agora Book 2: Rebels!

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Um comentário sobre “Comentando: Dreamfall Chapters – Book 1

  1. Pingback: Comentando: Dreamfall Chapters – Book 2 | Colchões do Pântano

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