Eu e o Kindle Paperwhite

Antes de mais nada, esclareço que minha versão do Kindle é a primeira geração do modelo Paperwhite (explico melhor depois) e com o firmware mais recente até agora, 5.4.4.2. O motivo da ênfase é que essa atualização botou algumas funcionalidades extras ao aparelho, e algumas são boas o suficientes pra se levar em conta na hora de comprar.

Tudo começou quando eu comecei a cursar Artes Visuais ano passado e percebi que estava acumulando um volume expressivo de leituras, o que me motivou a querer um leitor dedicado a ebooks. Não lembro muito bem como soube da existência dele, mas após ler/assistir várias comparações do e-reader da Amazon com o Kobo Touch (por serem muito parecidos, pelo que entendi) e concluir que não queria exatamente um tablet (apesar das inúmeras funções a mais, mas que podem prejudicar o foco pela leitura), acabei ficando com o Kindle mesmo. Quase um ano depois, posso afirmar que sim, valeu a pena.

Aqui procurarei explicar os detalhes mais relevantes, mas como não rolou unboxing, fiquem com esse vídeo do Tiny Little Things, em que a Tatiana mostra o simpático tutorial do Kindle lá pelos três minutos e pouco. Quem já mexeu com tela de toque alguma vez na vida provavelmente não estranhará muito.

Quando comprei, em maio, o negócio era tão recente que a única loja online que vendia oficialmente era o Ponto Frio. Agora tem direto na Amazon brasileira, mas tenho a impressão que não vai aparecer uma boa promoção do aparelho tão cedo. O que eu comprei tem suporte a Wi-Fi, custando “apenas” R$ 479. Tem também modelo mais caro que inclui 3G gratuito, só que tem um porém não-tão-irrelevante: ele está restrito apenas para a loja da Amazon e a Wikipedia. Já o modelo mais básico, de R$300, não tem iluminação própria e nem touch. Já vi capinhas que geravam iluminação para esse último caso, mas não parecia lá muito funcional…

O drama dos formatos

Embora o Kindle reconheça vários deles, é muito provável que você só vai se importar com três em específico: o velho PDF, MOBI e AZW.

Pra quem não sabe, uma das qualidades do Kindle é a possibilidade de você ler um livro podendo customizar a fonte, tamanho do texto e espaçamento das linhas e margens. O problema é que isso não funciona no PDF, visto que ele é um arquivo de layout fixo, permitindo uma diagramação bem mais complexa e própria para impressão. É até possível convertê-lo em outros formatos usando softwares como o Calibre, mas geralmente não vale nem um pouco a pena. Ele também é mais propenso a travar, na pior das hipóteses.

Uma maneira de contornar o problema é que o Kindle permite girar a tela em modo paisagem e também aumentar o contraste do texto. Uma mão na roda, sem dúvidas. Até agora nenhum PDF que li nesse esquema ficou ilegível, mas caso você queira procurar uma palavra no dicionário ou destacar um trecho (pressionando e arrastando o dedo até o ponto desejado), aí sim o bicho pega isso passou a ser muito mais viável graças à atualização do firmware. Não resolve 100%, mas realmente está melhor.

kindle paperwhite pdf

Trecho de “A História do Amor no Brasil” de Mary Del Priori.

Os formatos restantes são idênticos em termos práticos – formatação maleável -, só que enquanto o AZW é proprietário da Amazon, o MOBI é utilizado para ebooks sem DRM. Em suma, isso reflete muito quanto à maneira que você vai adquiri-los (se é que me entende). E um fator fundamental a ser comentado é que, devido à priorização do texto e a flexibilidade da formatação, as imagens recebem bem menos atenção e “apelo visual” do que num livro impresso – além da evidente limitação das cores, substituídas por tons de cinza.

Note que não falei do EPUB por não ser compatível no Kindle. Em compensação, se você pegar um ebook nesse formato e convertê-lo pro MOBI, a diferença é mínima, senão nula – e posso confirmar empiricamente. No caso do Calibre (aparentemente o software mais usado pra isso), a conversão é rápida e ela pode ser automática caso você use-o pra enviar os ebooks diretamente ao aparelho.

Por último e não menos importante, dá também para organizar os ebooks em Coleções, o que é particularmente ótimo quando você tem mais de cem títulos guardados e não quer ficar passando um monte de páginas pra encontrá-los, aí dá configurá-las de modo que apareça sempre antes da lista de ebooks fora delas.

A magia do digital

Em geral, o Kindle sabe imitar habilmente coisas que você faz em livros físicos, desde no uso de marcadores a grifos de informações mais relevantes. Se você é universitário e precisa fazer fichamento, então, só terá a ganhar com o e-reader. Mas, ao meu ver, ele ainda não chegou em um ponto ideal porque, quando você tem MUITA marcação, visualizar as mais antigas exigirá uma boa dose de paciência. A interface está diferente em comparação ao firmware antigo que eu usava, mas continua menos funcional do que poderia.

Antes, já era possível marcar uma página da mesma maneira que um marcador, mas agora há uma diferença crucial: Você pode visualizar outro pedaço do livro sem sair de onde você está. O texto aparece sobreposto em uma fonte menor, podendo inclusive “virar a página” nesse modo. Pode ser útil se você quiser resgatar uma informação anterior do livro, por exemplo. Mais uma: agora dá pra “folhear” um ebook livremente, sem ter a obrigação de ver uma página por vez ou de selecionar o capítulo como acontecia até pouco tempo atrás.

Exemplos de "Conecte-se ao que Importa" de Pedro Burgos (um puta livro, diga-se de passagem).

Exemplos de “Conecte-se ao que Importa” de Pedro Burgos (um puta livro, diga-se de passagem). Ver as notas de rodapé dessa maneira é TÃO mais confortável, cês não tem ideia.

Agora, se tem algo super bem-vindo são os dicionários. Ao comprar um Kindle e registrá-lo na Amazon, você tem acesso gratuito a um punhado deles em várias línguas. Inclusive, dá para instalar dois ou mais de uma única língua porque, se estiver faltando uma palavra em um, o outro pode compensar. Só não recomendo o de português que, eufemismos às favas, é uma merda em boa parte do tempo. Se você procurar por um verbete flexionado como “indiscriminado“, a definição que ele vai dar é “não discriminado“. Simples assim.

Existem alguns dicionários à venda na Amazon e o único que comprei é este da Porto Editora. É em português de Portugal, mas tem me auxiliado horrores agora que estou me aventurando na leitura de livros em inglês. Essa mesma editora também oferece dicionários comuns em Português Brasil, mas aí não saberia dizer se a qualidade é boa também.

kindle paperwhite dicionario

Exemplo de “Sex in Video Games” da Brenda Brathwaite. Repare na seta ao lado do nome do dicionário, permitindo o uso manual de outros. É uma mão na roda porque tem vez que o Kindle erra feio o idioma do ebook.

Após a grande atualização do firmware, uma das novidades é o Construtor de Vocabulário e as suas flashcards. Basicamente, o Kindle registra todas as palavras que você selecionou individualmente de modo que você possa consultá-las mais tarde para tentar memorizá-las. É possível visualizá-las separadas por livro, mas em compensação ele não faz distinção de termos em inglês dos em português, por exemplo. Comigo, ele não foi lá muito útil até o momento.

flashcards do kindle exemplo
Pra finalizar, outras possibilidades propiciadas pelo Kindle são: busca de termos ou frases tanto pelos livros quanto pelos dicionários; ajuste da iluminação na tela (com exceção do modelo mais básico, claro) de modo que seja ótimo lê-lo à noite; fazer backup automático das suas anotações; receber atualizações dos livros comprados pela Amazon caso recebam correções; poupar um puta espaço físico; acumular muito mais coisa do que você consegue ler e por aí vai.

Se surgir novidades interessantes com o tempo, procurarei atualizar o post, e se você precisar de ajuda quanto à aquisição de um e-reader ou como usar o Kindle, não hesite em perguntar (:

OBS: O lance de que o Kindle não reflete luz não é exatamente verdade. Ele VAI refletir, só que com bem menos intensidade e de forma mais difusa que um tablet comum. No caso de, digamos, uma lâmpada, dá pra disfarçar muito malemá deixando a iluminação no máximo.

OBS²: Imagem de capa tirada daqui – juro que tentei botar uma imagem minha, todas as tentativas de tirar uma boa foto ficaram muito, muito ruins.

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2 comentários sobre “Eu e o Kindle Paperwhite

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