Comentando: Borderlands 2

Embora a introdução do jogo seja muito boa, particularmente considero a do primeiro mais impactante.

Relendo minha resenha do primeiro Border, é estranho notar de como deixei de contar alguns detalhes relevantes principalmente sobre as falhas do jogo, como a necessidade absurda de grinding (tanto que não é exagero chamá-lo de micro MMO). Problema que, felizmente, foi bastante amenizado no segundo, mas talvez seja porque passei quase o tempo todo jogando online, em partidas alheias. E assim como seu antecessor, Borderlands 2 mantém a incapacidade de ser um jogo agradável na experiência single player numa dose proporcional à jogatina com amigos – mesmo com todas as melhorias.

tiny tina

Tiny Tina: 13 anos, muitos explosivos em mãos, poucos parafusos na cabeça e psicopatia transbordando pelos poros

Na narração do vendedor Marcus Kincaid, você fica sabendo que, depois dos Vault Hunters abrirem a sepultura, isso fez com que emergisse do solo um novo elemento alienígena chamado Eridium. Assim, a corporação Hyperion começa a minerá-lo por toda Pandora sob liderança de Handsome Jack, um vilão sem escrúpulos, caricato e também um dos personagens mais escrotaços de todos.

Quase tudo estabelecido no primeiro jogo foi refinado, em maior ou menor grau, na continuação. Por exemplo, enquanto a história inicial era quase nula e facilmente dispersável no meio das inúmeras e repetitivas sidequests, Border 2 não só a torna muito mais completa e interessante como também traz explicações melhor desenvolvidas, missões mais variadas, mais armas criativas (incluindo um rifle que resmunga ao recarregar, uma pistola que te deixa bêbado e uma metralhadora que grita a cada tiro) e mais personagens e inimigos memoráveis (Ellie ❤). No que diz respeito ao humor, em alguns momentos ele ficou bem mais reaça e de mau gosto (infelizmente), enquanto em outros ele se tornou mais escrachado, mais nonsense. E às vezes, forçado. É até irônico o jogo adotar esse caráter conservador e ao mesmo tempo celebrar a diversidade através de seus personagens.

Voltar para o mundinho fascinante de Pandora, ainda mais como alguém que adorou demais o primeiro jogo, não deixa de ser gratificante. E mais ainda por ser uma digna continuação. A direção de arte, por exemplo, melhorou HORRORES. Se antes você se enjoava em ver o mesmíssimo ambiente desértico por longos períodos de tempo e sensivelmente similar entre um mapa e outro, dessa vez você começa de cara em um local congelado, com direito a neve e tudo. As cores são abundantes, especialmente nos filtros de iluminação, dando um show à parte por onde você circula – tanto de dia quanto à noite. O cellshading também está bem mais trabalhado, ainda mais se for levar em conta que Borderlands, a princípio, era pra ter um aspecto hiper-realista. O design e as cores tanto dos menus quanto do HUD também estão bem mais bonitos.

Quanto à jogabilidade, agora os inimigos não respawnam loucamente como no primeiro. Se você transita de um mapa a outro sem sair do jogo, os locais previamente “limpos” continuarão sem bandidos ou monstros (por mais tempo, pelo menos). E se você morre, não só recuperará parte da munição como também não terá que aturar a mesma quantidade de inimigos: o que morreu, morreu e quem ainda está vivo continuará com o mesmo dano que sofreu – salvo poucas exceções, como bosses específicos.

Quem acompanha a série desde o primeiro jogo será devidamente recompensado por se reencontrar com figuras, trilhas sonoras e locais conhecidos e devidamente adaptados à história do segundo, além de melhor desenvolvidos. Os Vault Hunters originais retornam como personagens relevantes da trama, como o fato de Roland ser o líder da rebelião Crimson Raiders. Fyrestone também torna-se acessível mais pro final da história principal, o que me deixou encantadíssima. Difícil não dar uma ponta de nostalgia, apesar de ter jogado o primeiro há menos de um ano.

lilith no rest for the wicked

Referenciazinha marota ao primeiro jogo.

Enquanto o Borderlands original se contentou em ter quatro expansões, o segundo passou a ser um festival de DLC’s – a maioria itens estéticos para os personagens. Sendo assim, comentarei brevemente as mais relevantes que vieram na versão GOTY:

Captain Scarlett and Her Pirate’s Booty

Captain-Scarlett

YARRRR!

Numa historinha contada por Marcus para uma pequena órfã – já conhecida no primeiro jogo –, você se junta à pirata Scarlett para encontrar um tesouro perdido no meio do deserto que era propriedade do Capitão Blade. Para fazer isso, precisa usar uma bússola que foi dividida em quatro pedaços e espalhada por aí. Nada muito grandioso ou elaborado. A história principal não me pareceu tão empolgante, e a personagem que dá nome ao DLC não tem tanta carisma a ponto de ser memorável (com exceção do character design foda).

Num geral a experiência foi morna, tendo o começo da história como ponto alto. Tive ânimo pra fazer a maioria das sidequests sozinha (o que é raro) e até arriscaria a dizer que elas tiveram mais apelo que as main quests. Apesar disso, não é nada excepcional. Agora, o que mais me amarrei no DLC sem dúvidas foi o novíssimo veículo Sandskiff, um barco flutuante e melhor do que qualquer carro do jogo regular.

Mr. Torgue’s Campaign of Carnage

A história começa com Patricia Tannis explicando o possível local em que ficaria uma nova Sepultura, para ser abruptamente interrompida pelo bombadão maluco feito de testosterona pura Mr. Torgue logo em seguida, sugerindo a ideia explosiva de fazer uma competição para que o ganhador possa ter acesso a ela. Assim, seu objetivo é eliminar os concorrentes para subir de ranking até chegar ao primeiro lugar. Para isso, terá que enfrentar Piston no final, conhecido por ser um belo trapaceiro.

Vale a pena conhecê-lo só pela histeria ensandecida do Torgue. Ele não sabe falar sem ser aos berros. E também pelo DLC trazer um mapa com o melhor nome já inventado: BADASS CRATER OF BADASSITUDE.

Sir Hammerlock’s Big Game Hunt

Aqui, Hammerlock, o carinha simpático que você conhece no começo do jogo, te convida pra fazer uma caçada. Nesse meio tempo, descobre o Professor Nakayama, um antagonista que tenta fazer um clone do Jack – seu grande ídolo – e ser um bom vilão, mas o cara é tão burro que chega a contar seus planos acidentalmente durante as quests.

Os diálogos do Nakayama são engraçados e o final é hilário, mas no geral achei esse DLC bem chatão. No primeiro mapa em que você começa, por exemplo, os pontos de acesso aos veículos são bem mal distribuídos e você é obrigado a percorrer vários pedaços a pé durante as (pouco inspiradas) sidequests, por causa do terreno e outros obstáculos típicos. O design de outros mapas também tem problemas similares – isso quando há veículos. Além disso, vários dos inimigos se constituem de estereótipos indígenas, numa tentativa forçada de ser engraçado – o que não fede nem cheira até certo ponto. Enfim, o DLC como um todo é medíocre pra baixo, talvez o pior da lista. Não vale a pena.

Tiny Tina’s Assault on Dragon Keep

Dessa vez, você vai ter que aguentar as imprevisibilidades de Tina porque agora ela é a estrela do jogo e Dungeon Master de uma mesa de RPG, a qual criará uma história completamente maluca e que mudará constantemente dependendo do seu humor e nível de insanidade. As missões também referenciam tanto coisas nerds típicas quanto os estereótipos do meio. Numa delas, por exemplo, você tem que encontrar pergaminhos com três perguntas pra fazer ao Mr. Torgue pra que ele prove ser um nerd de verdade, afinal um cara bombado como ele tem tudo pra ser poser e só dizer que é nerd porque está na moda!

O que é mostrado sobre a Tina no jogo regular não me fez achar a personagem essa coisa maravilhosa e fascinante como algumas pessoas que vi por aí. Por outro lado, no DLC ela passou a ser bem mais interessante, proporcionando situações engraçadíssimas, especialmente a revelação do final. Resumidamente, é como se os desenvolvedores tivessem incluído todas as despirocagens possíveis que não acrescentaram no jogo principal pra não desvirtuar da lógica estabelecida de Pandora – mesmo ela sendo inerentemente absurda. Sem dúvidas o melhor DLC dos quatro. Jogue!

Galerinha ~mysteriosa~ por essas bandas

Galerinha ~mysteriosa~ por essas bandas

Por último e não menos importante, na última VGX foi anunciado uma produção da Telltale em conjunto da Geabox, chamada Tales from the Borderlands, para 2014. Se, por um lado, a inauguração de um novo jogo da série em tão pouco tempo me parece apressado demais (ainda mais com rumores de um Borderlands 3 pra sair no mesmo período), por outro estou quase me mordendo de vontade em conhecer a (possivelmente) excelente história que a Telltale há de construir. Depois da breve experiência com The Walking Dead, não duvido da competência do estúdio quanto a isso. O que pode acontecer na pior das hipóteses – dependendo do ponto de vista – é da série se tornar o Assassin’s Creed da Gearbox no sentido de todo ano ter um jogo novo. Com tantas Sepulturas a descobrir, há uma margem e tanto para se contar um sem número de novas histórias.

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Um comentário sobre “Comentando: Borderlands 2

  1. Bom, mais um caso de resenha elogiando o DLC da Tina. Então temos um jogo mais bonito, com mais pontos interessantes, mais armas, e mais personagens, com a adição daquele Psycho(é isso?) e da moça com o robô.
    Mas é bom saber que houveram melhorias significativas. Muita gente tem colocado a Gearbox na parede por coisas como Alien Colonial Marines e Duke Nukem Forever. e também que a escrita do tal Anthony Burch, que tem um histórico de criticar narrativas em jogo. Fora que a irmã dele, a moça do programa “Hey Ash, Watcha Playin?” é que faz a Tina, se não me engano.
    De qualquer forma, é encorajador! E como já comprei mesmo, que venha! Mas depois do primeiro.

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