Comentando: Mark of the Ninja

Eu podia ficar o dia inteiro babando pelos cenários.

Eu podia ficar o dia inteiro babando pelos cenários.

marked ninjaDa série de jogos que não-tava-interessada-a-princípio-mas-no-fim-achei-foda, Mark of the Ninja é o mais novo deles. Trata-se do lançamento mais recente da Klei Entertainment, da qual eu já tinha citado no post sobre Don’t Starve. Só decidi comprá-lo porque ele tava incluso num pacote indie da Amazon (minha experiência com mecânicas de stealth não é das mais felizes). Não joguei os outros, mas independentemente da qualidade dos demais, Mark of the Ninja já valeu por todos.

Em termos de história, em geral não é nada muito complexo, mas satisfatório para contextualizar suas ações no jogo. Você é um ninja treinado por Azai escolhido para proteger o clã de Hisomu, do qual recebera a “marca”: tatuagens em que a tinta é feita de uma toxina extraída de uma flor, capaz de fornecer poderes extremos pros ninjas. Só que isso irá lhe custar a sua sanidade e eventualmente você terá que se matar pra não destruir seu clã. A trama se desenrola a partir do momento em que Karajan ataca o templo de Hisomu e Azai é sequestrado, junto de alguns outros ninjas.

Durante quase todo o jogo, você está acompanhado de Ora, uma ninja que apelidei carinhosamente de “garota-tutorial”, pois sua função é essencialmente essa: te seguir frequentemente, explicar suas missões e indicar aonde você deve ir. Ela costuma aparecer tanto no começo e final de cada fase quanto nas cutscenes. Você só sabe quem ela é no final – e que final.

Sobre a jogabilidade e aspectos mais técnicos, o jogo é impecável. Não está totalmente perfeito porque já me deparei com um bug ou dois e umas quedas irritantes de framerate (especialmente nas fases do deserto, mas reconheço que minha placa não ajuda), mas nada que desmereça o excelente trabalho da Klei. O primeiro ponto óbvio é por se tratar de um stealth 2D. Não sei se Mark of the Ninja é realmente o primeiríssimo jogo a ser criado assim, mas de qualquer modo, ele é tão fantástico e funcional que me convenci que gosto desse gênero, apesar de ser tão discreta quanto um elefante rosa numa loja de cristais.

A curva de aprendizagem também é muito agradável. Além de possuir um bom equilíbrio no geral (embora apanhei bastante na parte do deserto com aquelas bombas desgraçadas espalhadas no cenário), é muito bacana ver de como é implementado características novas na mecânica, evitando totalmente que o jogo fique repetitivo, como inimigos com habilidades melhores ou cães farejadores, exigindo outras táticas.

O level design na maioria das vezes é bastante intuitivo e muito inteligente, visto que o jogo te dá opção tanto para matar os inimigos de maneiras variadas quanto para passar por eles sem matar ninguém e até mesmo sem ser notado (embora exige mais raciocínio, é claro). A direção de arte é de encher os olhos, com cores e formas super harmoniosas; e dá pra perceber, pelas animações, do quanto o estúdio evoluiu bastante desde o primeiro Shank. O traço está muito bonito e bem mais fluído. Além disso, as dicas visuais no jogo, especialmente as que indicam os limites dos ruídos que você faz, são SUPER bem aplicados. E a trilha sonora… Tá, isso aqui já está virando muita rasgação de seda, hahaha!

mark of the ninja screenshot

Sério cara, como não amar isso?

Uma das minhas partes preferidas no jogo é o replay value, que além de ser muito forte, também é bastante equilibrado e recompensador. Funciona assim: em casa fase, além da missão principal, você também pode fazer o equivalente a sidequests (coisas como não quebrar nenhuma lâmpada, não ser detectado ou encontrar pergaminhos escondidos no cenário). Cada vez que você consegue cumpri-las, ou tem um ótimo desempenho em geral, ganha “pontos de honra”. Esses pontos são usados no sistema de upgrades, divididos em três categorias: técnicas (mais opções para matar em situações diferentes), itens de distração (desde a clássica bomba de fumaça até a caixa de papelão do Metal Gear) e itens de ataque (dardos com alucinógenos, insetos mortais, estrepes…). Ah sim, você também desbloqueia roupas especiais com suas respectivas vantagens e desvantagens, aumentando mais ainda o número de possibilidades.

SPOILER TIME!
(veja minhas últimas conclusões no final)

Antes de concluir o jogo, eu tinha olhando uma screenshot mostrando o Ninja se suicidando. Aí eu lembrei que isso ia acontecer pela história que Azai conta no começo do jogo. O que eu não sabia é que aquele não era o único final, o que me apertou o coração. Quero dizer, antes de saber que Ora era um delírio, tava estranhando a maneira que ela se manifestava e tudo mais, mas não tinha me passado pela cabeça que ela não era real (sou lerda mesmo). Aí você se apega com o tempo, não é? Tanto que quando assisti o final, preferi matar o Azai primeiro – depois refiz a última fase. Agora, a forma que a situação foi justificada não me parece totalmente convincente. Se as tatuagens foram a origem de Ora, e isso só com a primeira marca, por que demorou tanto tempo pro Ninja começar a enxergar guardas imaginários? Deu a entender que ele precisava viajar MUITO na maionese pra chegar a tanto. Sei lá, esse detalhe ficou esquisito pra mim.

FIM DO SPOILER

Recomendar esse jogo já ficou redundante. Ele está praticamente no meu top 10 de jogos favoritos all time. Embora a narrativa seja meio morna, o plot twist é muito mais interessante do que eu imaginava, o que fechou a história de um jeito basante satisfatório pra mim (e isso porque a tendência de muitos jogos é ocorrer o contrário). Você COM CERTEZA deveria jogá-lo.

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5 comentários sobre “Comentando: Mark of the Ninja

  1. Comprei esse jogo quando ele tava em promoção na Live e até agora ainda não o joguei. Mas em minha defesa estive muito ocupado resgatando Constantinopla (leia: jogando AC Revelations). Teu review me fez mudar de ideia e Mark of the Ninja definitivamente será o próximo jogo da Live Arcade que jogarei. 😀

  2. Pingback: Comentando: Aquaria | Colchões do Pântano

  3. Acabei de zerar esse jogo, saí procurando um review porque fiquei tão viciado que passei lotado pelas cutscenes e não entendi quase nada do roteiro e acabei achando o seu,

    Ele é um casamento perfeito de antigos jogos de ação 2d da geração 8 e 16 bits como NINJA GAIDEN (Nintendo) e SHINOBI (MEGA DRIVE) com a jogabilidade, os stealths e até algumas referências gráficas (os sinais de alerta dos guardas) exatamente iguais aos usados na série TENCHU, (Playstation). Tái a parte “plágio” do game, quem jogar ou já conhece a série Tenchu, vai ver que os kills e as emboscadas são praticamente igual, só que em 3d… o que não desmerece os desafios completamente viciantes que essa equipe fez nas fases de MARK OF THE NINJA, assim como a belíssima narrativa visual de HQ’S nas cutscenes e no póprio jogo (que lembra muito a maravilhosa animação SAMURAI JACK). Pra mim, jogo merecedor de Oscar…

    Concordo em gênero, número e grau contigo TFANTONI, esse jogo é top 10 ever! e adorei seu review, parabéns!

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