Comentando: Rochard

rochard screenshot

Turbinium. Diesel espacial, é assim que o chamamos. Fazia quatro anos e treze cinturões de asteroides que tínhamos encontrado algo. Nossa equipe estava em uma época bem azarada. E o último asteroide que estávamos perfurando foi o pior. Naquele dia, tínhamos explodido um turbo de uma sonda de perfuração e eu estava voltando para a pedra com uma sonda nova. Aquele foi o dia do grande achado… O dia em que nossa sorte mudou. Eu deveria ter percebido que não existe algo como coincidência. Tudo está conectado. É… Um dia que já era ruim ficou bem pior.

E é assim que começamos com a narração de quem dá o título ao jogo, John Rochard. Criado pela Recoil Games (o único até agora, pelo visto), trata-se de um jogo indie de plataforma 2.5D que se destaca pelos gráficos puxados pro cartunesco, além das cores agradáveis, e sua mecânica que permite manipular a gravidade, resolver puzzles baseados em física e derrotar os inimigos com relativa variedade de opções. Foi originalmente lançado para a PSN e depois recebeu um port, porquíssimo por sinal*, pra PC.

Há poucos personagens presentes e além de Rochard, líder da Skyrig Corporation, conhecemos Skyler Hanson, especialista em tecnologia de mineração cuja participação se resumirá na maior parte do tempo em falar com você à distância se comunicando através de um holograma; Zander, um velho mineiro com pequenas aparições; Floyd, tio de Skyler e empresário que toca um cassino espacial; e finalmente o chefe de Rochard, Sr. Maximillian Pegasus.

Uma característica bacaninha do John é por dar uma pitada de humor, desde em dizer “here’s a nugget for you!” ao jogar uma granada num inimigo, até imitar o grito do Tarzan mais pro final do jogo. Além disso, ele também usa um dispositivo parecido com a Gravity Gun chamada G-Lifter, usada pra cortar pedras e carregar caixas pesadas. O bom é que você pode melhorá-la e colocar funções novas coletando upgrades espalhados pelo cenário.

Provavelmente a cena que mais destoa do cenário intergaláctico presente em quase todo o jogo.

Provavelmente a cena que mais destoa do cenário intergaláctico presente em quase todo o jogo, e só vai fazer sentido ao chegar nessa parte.

A história não é lá essas coisas, mas acredito que é o suficiente para a proposta do jogo (com direito a um final tão aberto que não me surpreenderia se saísse um Rochard 2…). Como a própria narração de John sugere, faz um bom tempo desde que descobriram alguma coisa interessante e se não achassem nada novo logo, tinham o risco de perder o emprego. E quando finalmente conseguem algum resultado, são atacados por bandidos espaciais, aka “Wild Boys”. Aí mais adiante ficamos sabendo que a descoberta é um artefato alienígena e causador dos problemas atuais, além de mostrar o ~lado negro~ de Maximillian. Acho que falar mais do que isso seria spoiler =P (e confesso que acompanhei pouco da história enquanto jogava).

Aliás, fazendo um pequeno adendo: não me surpreenderia se Rochard fosse um dos, senão o primeiro jogo a ter um protagonista gordo. Mais ainda, há um número considerável de personagens gordos, em especial os inimigos. Além de ser um diferencial, tal característica se encaixa bem nas mecânicas, visto que o peso não importa em baixa gravidade. Claro que, sem saber quais eram as intenções por parte dos desenvolvedores, é complicado analisar plenamente, mas se a ideia era representar uma minoria, foi um desperdício não terem feito o mesmo com Skyler. Ela, que teoricamente teria um nível de importância similar ao de Rochard (além de ser o cérebro do grupo, ao que tudo indica), teve uma participação tão específica ao ponto de ser sequestrada em certo momento da história. Até a descrição do jogo no steam demonstra isso:  “a thrilling story of villains, a damsel in distress […]”.

Por último e não menos importante, a trilha sonora. Ela é bacana e acredito que casou bem com ambientação do jogo, sendo algumas mais animadas e outras mais “sérias”. Uma das, senão a melhor delas, é a primeira que toca:


No geral, eu gostei do jogo e recomendo para quem curte plataforma ou simplesmente quer conhecer algo novo sem exigir muito. Vi alguns dizendo que ele é “fácil demais”, mas isso é bem relativo. Há puzzles que são realmente descomplicados de resolver, já outros eu tive que fazer algumas pausas devido ao nervosismo. Dependendo das suas habilidades e tempo gasto em exploração (para pegar upgrades ou os colecionáveis), não vai gastar tanto tempo nele, tanto que existe até um achievement pra quem zerá-lo em 3 horas ou menos. Eu, que fui mais lerda, gastei um pouco mais de tempo do que isso…

*Achei o port porco porque a única coisa que realmente adaptaram foram os controles. Com exceção da resolução, há personalização zero nas configurações gráficas, por exemplo, mas o que mais me incomodou é a total falta de controle com os saves e impossibilidade de criar um perfil novo para começar um novo jogo sem deletar o progresso do antigo, detalhe que descobri da pior maneira possível quando decidi voltar ao começo para pegar os colecionáveis que não consegui antes. Perdi todo o progresso.

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