Comentando: Prince of Persia (2008)

Sensualizando com a garra.

Porque o jogo recebeu um nome tão genérico a ponto de precisar colocar o ano de lançamento para facilitar a identificação, não faço a menor ideia. Foi lançado pela Ubisoft para PS3, Xbox360, Mac e PC. Este último desconfio ser um port por causa da forma que você configura os gráficos e a jogabilidade em si – explicarei sobre isso mais adiante.

A história começa com um protagonista sem nome – vou chamá-lo de Prince durante o texto – que perdeu seu burro de carga, Farah (carregando bastante ouro, claro), durante uma tempestade de areia. Enquanto anda meio desnorteado pela vista prejudicada, cai de um penhasco, já mostrando suas habilidades acrobáticas e tromba com uma mulher, Elika, sendo perseguida por guardas. Quando consegue despistá-los, ela logo volta a correr e assim que Prince começa a segui-la, os mesmos guardas tentam acabar com ele nesse meio tempo.

Com uma causa em comum, os dois passam a se ajudar e vão em direção a um templo. Não demora muito para descobrirmos que Elika é uma princesa e que está sendo perseguida pelo pai. O problema principal da trama acontece ao chegarmos na prisão de Ahriman, um deus maligno preso graças a um selo criado pelo seu irmão Ormazd, o deus da luz. Só que ele é destruído pelo pai de Elika, libertando boa parte de seu poder e espalhando a Corrupção pelo mundo. Para parar Ahriman, ela e Prince devem chegar nas “Fertile Grounds” distribuídas pela cidade (das quais fornecem energia para o templo), derrotando os servos do deus das trevas e purificar os locais. Uma vez que estas áreas estão curadas, surgem as “Light Seeds“. Elas são necessárias para dar energia o suficiente à Elika e poder ativar poderes específicos de Ormazd. Sem isso, você não poderá acessar a maioria dos Fertile Grounds e nem pegar algumas Light Seeds.Antes desse Prince of Persia, não tinha jogado absolutamente nada da franquia, portanto não farei comparações sobre os jogos anteriores como costuma ser feito.

O primeiro ponto pra discutir é a impossibilidade de morte. Toda vez que você cai de uma plataforma, lá vai Elika pronta pra te salvar. Essa foi uma das características mais criticadas pelos autores de reviews que li porque torna o jogo “fácil demais”. Olha, desculpa, mas acho que tem que ser muito infantil pra tirar uma conclusão dessa quando temos jogos como Braid que provam o contrário.

Ao errar o pulo, Elika te manda pro local seguro mais próximo e algumas vezes isso te obriga a refazer uma parte das acrobacias (além de precisar esperar alguns segundos para rodar a cena dela te puxando). Quando você apanha muito do inimigo e quase morre, Elika te salva novamente, mas a punição da falha está do monstro recuperar um pedaço da vida.

É verdade que, no geralzão, o jogo é relativamente fácil (os guardas do começo, por exemplo, são derrotados bem rápido). Digo isso porque, no começo, estava apanhando muito com os controles por implicarem em apertar teclas de forma sincronizada. Se agir cedo ou tarde demais, existe maior margem de erro. Felizmente não demorou muito pra me acostumar e melhorar tanto nos combos quanto nos pulos. Além disso, achei bizarro a necessidade de apertar alguns botões loucamente para certas ações (lembrei de God of War na hora e o povo criticando isso do jogo também). Isto, além do fato de os botões serem representados por símbolos, e não pelos atalhos, é uma das razões que me faz acreditar se tratar de um port. Outro motivo é que você configura os gráficos e idioma através do launcher da Ubisoft.

Ah sim, vi gente reclamando que há poucas lutas corpo-a-corpo em comparação aos jogos anteriores. Bem, eu curti a parte da ação, mas também é agradável explorar o cenário e arrasar no parkour, especialmente após a purificação.

Em cada Fertile Ground, temos um boss para manter o estado corrompido. Reparei que eles têm propriedades diferentes para derrotá-los. Por exemplo, um deles era imune aos meus ataques e só morria sendo jogado no precipício, já outro criava ilusões de si mesmo. Sem dúvidas que essa variabilidade dá um gostinho melhor pro jogo, mas como não terminei de jogá-lo, não sei até que ponto é assim.

Sobre as Light Seeds, devo concordar que é um porre elas serem obrigatórias para te permitir avançar no jogo e precisar de um número considerável delas. Pelo que li, no total são 1001. Isso certamente dá uma aumentada na duração do jogo, mas de uma forma desagradável e o torna repetitivo.

Quanto ao gráfico do jogo, é simplesmente lindão de tudo. Os contrastes são ótimos e as cores vívidas e muito bem aplicadas. Destaque para o visual realista (não confundir com hiperrealismo) com um pezinho no cell shading. Nisso ele me lembra da aparência igualmente bacana de Borderlands. A trilha sonora não fica atrás, se encaixando muito bem no ambiente do jogo.Agora chega minha parte preferida do assunto até então: os personagens. Eles são bem carismáticos. Prince fica entre resmungar pela falta de sorte durante sua viagem e a situação atual, além de fazer comentários irônicos (ou idiotas, geralmente engraçados) durante o jogo. Já Elika costuma responder à altura e tem um vasto conhecimento sobre aquela região e a Corrupção. A dublagem, sem dúvida, ajuda bastante. Além do que, é muito bacana ver de como a cooperatividade é forte entre eles. Elika é uma personagem que me chama a atenção não só pela personalidade e importância, mas também por não ser visualmente explorada pra agradar jogador punheteiro. Tem quem diga que ela é bonita, sensual e etc. OK até aí. A diferença é que em momento algum isso é posto em primeiro plano, e isso me deixa realmente feliz. Até onde joguei, estou bem tentada a acreditar que ela é um bom exemplo de representação feminina positiva nos jogos.

Por fim, nos extras temos algumas skins para os personagens: Altair de Asssassins’s Creed (que fica perfeito no contexto do jogo), Prince no seu visual “clássico”, Jade de Beyond Good & Evil e Farah, a princesa de Sands of Time. Lembrou que o nome do burro era o mesmo? Pois é. Tem também os protótipos dos personagens que, segundo o que li, precisa comprar o DLC Epilogue para desbloqueá-los. Não está disponível pra PC.

Quando tiver finalizado o jogo (desconfio que vai demoraaaaaaaar), pretendo atualizar o post com conclusões finais. Mesmo com as ressalvas e com o frame rate sofrível na minha Geforce 8500 GT, ele continua bem interessante

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7 comentários sobre “Comentando: Prince of Persia (2008)

  1. Simplesmente adoro esse jogo. Aliás, adoro toda a franquia Prince of Persia desde o primeirão lá em 1989(que, a propósito, foi o primeiro jogo eletrônico que joguei na vida).
    Esse jogo em específico é o meu preferido da franquia. Apesar de ele ser mais fraco que todos os predecessores no quesito jogabilidade(principalmente no combate), é visualmente o mais bonito e é o que possui a melhor história e melhor roteiro. Amo os personagens, a Elika é a personagem feminina que eu mais gosto em jogos. Acho as linhas de diálogo entre os dois personagens geniais, inclusive com várias citações que eu gosto muito, e possui uma história que é muito simples e ao mesmo tempo muito boa(não sei o quanto você jogou, então nem vou comentar nenhum ponto específico).
    Aliás, um fênomeno engraçado que acontece é de as pessoas acharem estranho eu gostar tanto da história desse jogo, já que ela é muito simples. Existe um consenso hoje em dia em que parece exigir que uma história seja complexa pra ser boa. Eu discordo absolutamente disso. Até porque, vemos exemplos de histórias extremamente complexas mas que nem são tão boas assim e as pessoas gostam pela complexidade(alô Mass Effect), enquanto temos esse jogo em que a história toda acontece em 4-5 cutscenes e consegue ser emocionante, surpreendente e bonita. Tudo que uma boa história precisa ser.
    No mais, o port de PC é realmente muito preguiçoso, não se preocuparam em adaptar os menus e os layouts de comandos(Só pra elucidar, jogos de PC e PS3 normalmente sempre são ports de 360 mesmo, mas costumam ser mais bem feitos.) E o button smashing não me incomodou muito, ao contrário dos jogos do Batman, por exemplo.
    E por fim, o nome é só Prince of Persia porque era um reboot da série. A Ubisoft abandonou o arco Sands of Time pra recomeçar a franquia. Mas como o jogo vendeu pouco, eles aparentemente desistiram de continuá-lo, o que é uma pena. =/ Em 2010 lançaram o PoP Forgotten Sands, voltando ao arco Sands of Time, que apesar de ser um jogo bom, foi o pior que eu joguei da franquia(fazem um jogo novo como se o que fez o PoP 2008 vender pouco foi o fato de não ser da série Sands of Time. Eles deviam melhorar o gameplay, não tentar fazer tudo de novo com um gameplay pior e esperar recuperar a série só pelo nome).
    Enfim, falei demais já. Belo texto, Taís. Aguardo os próximos. 😉

    • Citações referentes aos jogos anteriores? Da conversa entre os dois, acho que a parte mais engraçada que vi até agora é quando eles começam a fazer joguinhos como “tente adivinhar o que eu estou vendo” ou “adivinhe a palavra que estou pensando com a letra inicial”, heheheh =P

      De fato, a base da história é bem simples e até agora não vi reviravoltas ou algo do tipo durante a jogatina. Não vejo problema nela contanto que realize o propósito do jogo e esteja coerente pro contexto.

      Ah, valeu por esclarecer! Nunca peguei muitos ports e não sabia muito bem de como as adaptações funcionavam. Durante minhas pesquisas, não vi gente falando sobre isso.

      Ainda assim, um subtítulo pro jogo não seria má ideia =P

      Valeu por comentar (:

  2. Adoro PoP 2008 (e também acho que merecia um subtítulo legal), tenho a versão de PS3. Gosto muito desse tipo de experiência simples e leve, inclusive pra dar uma balanceada nos games pesados que costumo jogar (meu gênero favorito é horror). A dinâmica do relacionamento da Elika com o Prince é ótima, me divirto com os diálogos deles. xD

    Concordo com o Cramonns e contigo, tudo depende da coerência com a proposta e o contexto. Às vezes, no que falta de complexidade, uma história simples “compensa” sendo tocante, surpreendente. Meu único problema com esse jogo é a jogabilidade de combate travadona, acho cansativa.

    ^__^

    PS: Tais, como você desenha, imagino que deva ser ligada na estética e queria te perguntar… Quando um jogo tem um estímulo visual interessante/diferente, aumenta o seu prazer em jogá-lo? Isso acontece comigo. Em jogos como o PoP, que tem essa pegada “artística”, várias vezes eu paro pra contemplar os cenários, fico viajando nas cores e formas.

    • Já tava sentindo falta dos seus comentários, Bebs (:

      Olha, eu diria que aumenta um pouco sim, especialmente jogos coloridos como Bastion ou Trine, por exemplo. Não que dê pra reparar isso sempre, mas a sensação de conforto visual sem dúvida faz o jogo ganhar uns pontinhos comigo xDD tanto que tenho preconceito como jogos mais feinhos (não necessariamente os que tem gráficos velhos). Mesmo quando o gráfico já está meio datado, a harmonia e atmosfera adquirida pela maneira que as cores aplicadas já me deixa maravilhada, como aconteceu quando joguei Dreamfall. Dá vontade de desenhá-los!

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