Comentando: From Dust

Uma das artes conceituais do jogo.

Não lembro quantos jogos no estilo sandbox eu já joguei, mas desconfio que esse foi um dos primeiros. Lançado pela Ubisoft ano passado e disponível para Xbox360, PC e PS3, em From Dust conhecemos uma tribo indígena que não se lembram de nada dos seus antepassados e nem deles mesmos. Eles invocam uma espécie de identidade divina (chamada de “Fôlego”) que é o que você vai controlar durante todo o jogo. Essa identidade é o que vai ajudar a tribo se deslocar entre os 13 cenários disponíveis, do qual é capaz de manipular elementos como areia, vegetação, água e magma. Dessa forma, aos poucos as memórias são resgatadas.

A princípio o jogo é bem fácil de aprender, e aos poucos a dificuldade vai aumentando devido a catástrofes naturais que podem dizimar sua tribo, por isso vai ter momentos em que é preciso agir antes que comece o próximo tsunami ou erupção de um vulcão. Além disso, à medida que totens são encontrados e repovoados, alguns podem fornecer um poderes especiais com tempo de efeito limitado, como em poder evaporar/congelar água, apagar fogo etc (e precisa esperar para “recarregá-los”). As tribos também podem se defender sozinhas de água e fogo ao aprenderem um “canto mágico” que aparece em pedras sinalizadas no cenário. Ao mandar alguém aprendê-lo, é preciso ter certeza que a pessoa conseguirá ir e voltar vivo, espalhando o conhecimento para os demais. Isso toma tempo e tem que ter um pouco de estratégia para fazer isso antes que a natureza possa causar algum dano, já que as mudanças são constantes.

Detalhe: O designer do jogo é Eric Chahi, que criou Another World (que você percebe do quão foda é só de assistir longplays). Que fez quase tudo sozinho, como é possível ver nos créditos.

Não é bem isso o que acontece, mas tá valendo.

Em geral, eu gostei MUITO do jogo, a ponto de zerá-lo duas vezes (embora ele é mais legal quando você ainda não sabe a solução das fases). Ele é lindão de tudo, com cores de encher os olhos. Também gosto muito dos efeitos sonoros, principalmente o canto deles para se protegerem das enchentes e o magma escorrendo em direção aos totens – mesmo que isso acabe se tornando repetitivo com o tempo, mas não tanto em comparação às cutscenes impuláveis que aparecem sempre que você avança de uma fase para outra. Também gostei da voz do narrador, presente no começo de cada fase, que fala numa língua estranha, mas que você entende pelas legendas. Usei a tradução da Tribo Gamer que está bem satisfatória.

O jogo tem seus problemas, claro. No meu caso, a jogabilidade ficou menos fluída e incômoda porque a sensibilidade do mouse estava muito alta (mesmo quando eu a deixava quase zerada nas configurações) e por causa do frame rate bem baixo. É possível diminuir a resolução da tela e só. Não achei uma forma de mudar a qualidade gráfica diretamente.

Além disso, tem a IA dos indígenas. É bem irritante quando você manda eles irem pra lugar X, pararem e começarem a pedir ajuda por uma coisinha mínima que os impedem de prosseguir. Com o tempo, percebi que uma forma de evitar esse problema é cobrir as rochas com areia, diminuindo as “curvas” do chão. E isso porque o jogo te dá uma noção prévia se eles vão conseguir passar ou não através de linhas claras mostrando o trajeto mais rápido. Quando chega numa parte inacessível, essas linhas ficam vermelhas a partir daí. Ainda assim você só vai ter certeza se eles vão conseguir passar ou não quando estiverem mais próximos do destino.

Apesar do cenário ser lindo e tudo mais, dá pra ver que os modelos dos indígenas estão bem limitados. Temos homens e mulheres praticamente iguais uns aos outros. Mesma coisa com os animais. Nem mesmo crianças aparecem, como é possível ver em algumas artes conceituais. É uma pena, principalmente agora que eu descobri o portfólio do cara que fez os modelos. Podiam ter aproveitado o carinha bacana da água, ao menos ):

O replay value também é bem fraco. Você pode estender seu tempo de jogo deixando a vegetação em 100% e juntando o máximo de memórias possíveis (que podem ser vistas pelo menu), mas só. Ele também tem um modo desafio, em que seus poderes e tempo são mais limitados. Pessoalmente não me atraiu.

Mesmo com esses detalhes, me diverti com o jogo e ele teve alguns momentos tensos, principalmente a penúltima fase. Não é uma obra-prima, tanto que me frustrei um pouco com o final, mas não deixa de ser bom.

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