Comentando: Cinderalla

Cinderalla e seu, hã, espetinho de frango.

Já fazia um tempo considerável que eu tinha ouvido falar sobre Junko Mizuno pela primeira vez. Aparentemente é um nome famoso na cultura pop, que já teve produtos inspirados em seus desenhos que misturam coisas fofinhas e bizarras e até mesmo nojentas em alguns casos. Não tenho certeza, mas parece que uma das suas (poucas?) adaptações de contos de fadas que vieram pro Brasil foi essa. Queria lê-la antes, mas os preços um tanto proibitivos me desanimaram a princípio.

Na história, Cinderalla e seu pai trabalham em um restaurante especializado em fazer espetinhos de frango. Eles vivem muito bem e tal, até ele morrer… por comer demais. Cinderalla fica desesperada, afinal ela nunca fez espetinhos de frango na vida e precisaria tocar o restaurante para sobreviver, e é através de uma rata que vive com ela, dona Setsuko, que a garota vai procurar pelo pai após ressuscitar como um zumbi. Ele podia continuar trabalhando, mas só à noite.

Enquanto Cinderella ajudava depenando frangos, um deles escapa e o pai vai à procura dele. Dessa forma, ele volta para o cemitério e se depara com uma zumbi e suas duas filhas. Se apaixona na hora e decide se casar novamente. Cinderalla é contra, mas cede com uma certa pressão.

Com sua nova família, a garota tem seu trabalho redobrado, pois precisa fazer comida constantemente para a madrasta insaciável e fazer sutiãs para uma das irmãs, pois ela tem os peitos muito grandes e nunca conseguiu encontrar algum que lhe servisse (e diga-se de passagem, esse problema existe, como é possível ver no documentário My Big Breasts and Me da BBC). Já a outra irmã fica se ~divertindo~ com os clientes, basicamente porque ela está desesperada pra se casar o quanto antes. Não importa o que faziam, o pai de Cinderalla sempre defendia as três.

Bizarro fofinho sexy fofinho bizarro

Cansada de tanto trabalhar pra eles, ela está determinada que quer abrir seu próprio negócio e ser independente, o que não funciona muito bem a princípio quando ela tenta fazer um molho sozinha. Depois, quando ela percebe que um dos sutiãs que estava fazendo tinha sumido, ela vai procurá-lo na horta de casa, e lá depara-se com um garoto zumbi desconhecido. Também se apaixona na hora. A partir desse dia, ela cozinha e faz as tarefas domésticas pensando nele constantemente. Ela descobre que o garoto chama-se Príncipe e é um cantor. Sua vontade de revê-lo e enorme, mas só gente morta pode participar de um show que ele faz posteriormente.

No final, temos uma pequena história bônus contando do porquê de Caroline (a madrastra de Cinderalla) ser tão comilona, uma entrevista com a autora sobre sua trajetória antes de se tornar mangaká, o que a influenciou pra chegar no seu estilo atual e alguns adesivos.

Bem, o que posso dizer é que não gostei da história. É tão rasa e sem graça quanto a adaptação da Disney. Nenhuma personagem me pareceu marcante ou carismática o suficiente pra dizer que alguma coisa podia ser aproveitada da narrativa – na verdade, elas me pareceram visivelmente estereotipadas. Já os desenhos, bastante diferentes do que é considerado como mangá tradicionalmente, está longe de encher os olhos. A maioria das garotas são uma mistura de sensualidade com uma certa fofura. A paleta de cores é bem limitada, com vários tons rosados e verdes predominantes, quase sempre puxados pro acinzentado. Isso eu não achei ruim, nota-se que faz parte do estilo de Mizuno. Já o formato em comum com as garotas me deixa com uma opinião meio dividida.

Peitos grandes à mostra são bastante frequentes no mangá (e calcinhas, às vezes), tanto que a recomendação de idade que a Conrad colocou é pra 16 anos. Por outro lado, isso é tratado de uma forma tão banal que não consigo interpretar isso como o mesmo tipo de objetificação que você vê em HQ’s ou games, por exemplo. Não há exploração visual direta sobre os corpos, como closes ou ~poses sexies~. Os personagens são basicamente indiferentes com as garotas – principalmente o Príncipe, que ao encontrar Cinderalla pela primeira vez, ela só usava meias longas e um tipo de calcinha grande. Então pude concluir que essa ~sensualidade~ não faz parte do foco, mas também não é algo tão irrelevante que poderia ser facilmente dispensável (basta ver outras ilustrações de Mizuno e ver que é praticamente um padrão).

Se ainda assim você quer comprar, é possível encontrar o mangá bem barato na Estante Virtual.

Update: Um ponto que não tinha pescado ao ler o mangá era que o trabalho de Junko Mizuno se caracteriza do Moe, como pode ver neste post do Maximum Cosmo; ou seja, “é aquele misto de vulnerabilidade infantil e fetichização sexual feita para despertar um desejo protetivo em quem o vê” (sic). Não que as personagens de Cinderalla estejam exatamente em uma situação de perigo que justificaria esse desejo de proteção, mas o fetiche está aí à sua maneira.

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