Comentando: Tarot Café – A Caçada Selvagem

Detalhe da capa.

Pra quem não lembra, eu já tinha escrito sobre os manhwas da história original de Sang Sun Park. Dessa vez, A Caçada Selvagem é uma história à parte desse universo, mas em forma de light novel. O roteiro é da autoria de Chandra Rooney e a arte (obviamente) é de Park. Tanto que ela nos presenteia com uma história curta em forma de quadrinhos no final, com um roteiro totalmente diferente.

Até cheguei a pensar que essa história seria um acontecimento após o fim que o manhwa teve, mas não – ela é perfeitamente encaixável em um dos primeiros volumes, a julgar pelo contexto. E pelas explicações que a autora fazia eventualmente sobre o passado de Pamela e Aaron, desconfio que a novel foi escrita para ser palatável por leitores que não estão familiarizados com o universo original de Tarot Café.

Pois bem, a história gira em torno de Bryn, uma atriz com carreira promissora que começou a ter visões envolvendo seu namorado, Jack, em que ele é perseguido por caçadores de almas. Com o tempo, ele desaparece. Dessa forma, Bryn procura por sua atual cartomante, Cora, para saber o que aconteceu com Jack e como trazê-lo de volta. Mas Cora tinha voltado à Rússia e sua última esperança estava em um cartão perdido que ela encontrou no chão em frente à porta do local: Pamela.

Para quase todos os capítulos, temos ilustrações de cartas relacionados ao contexto, sendo essas Os Amantes e Príncipe de Paus, respectivamente.

Dividida em 16 capítulos, pelo menos uns 80% da história é focado na leitura de tarô entre Pamela e Bryn entrecortando com as lembranças revividas pela atriz à medida que o significado de cada carta era revelado. Um pequeno separador entre um parágrafo e outro indica os limites dessa transição de tempo constante. Os últimos capítulos descrevem a forma que Bryn se reencontra com Jack, com um final nada feliz – e Pamela contando a situação para Belus e Aaron. O final me pareceu muito sem graça e, talvez para os olhos mais atentos, previsível.

A partir daqui temos SPOILERS, então veja se é melhor parar por aqui ou saber mais detalhes da história para quem já está mais familiarizado.

O que mais me incomodou disparado de toda a história era essa paixão obsessiva da atriz pelo namorado. Ela estava tão, mas TÃO determinada que jamais conseguiria viver sem Jack por ser ~sua alma gêmea~ que ela prefere jogar todas as suas conquistas e família pelo alto e se juntar a ele praticamente num inferno – ou pelo menos é o que diz Pamela. Aqueles que estão vigiados pela Caçada Selvagem não tem mais escapatória. Entrou, nunca mais sai. Eles estão fadados a continuar caçando mais e mais almas, gradativamente perdendo o resto de sua humanidade. Pelo que Pamela diz, eles já existiam antes mesmo de ela nascer.

Além disso, Jack queria muito que Brynn vivesse sua vida e não deixou de ficar desapontado a princípio quando ela se suicidou ao se juntar à Caçada. Eu pessoalmente vejo isso como uma escolha realmente estúpida, visto que a situação de Jack não tinha solução que o máximo que ela conseguiu ao se sacrificar é prolongar o tempo útil tanto de sua própria humanidade quanto a dele. Mas o líder da Caçada, Herne, sabe como amenizá-la, tanto que Jack só reconheceu a amada graças a um pingente que seria seu presente de natal para ela. Ele já tinha se transformado em um demônio de olhos vermelhos flamejantes – assim como os demais.

Pamela não conseguiu dar à Brynn qualquer conselho para não fazer essa loucura porque, afinal, ela estava juntando as peças do colar de Berial justamente para morrer e se juntar ao Ash. Aqui, dá para perceber que Pamela ainda não tinha se encontrado com a reencarnação dele e muito menos em saber que ela estava dentro dos planos de Belus. Ainda assim, eu vejo a situação de Pamela bem mais coerente porque: 1) Ash salvou sua vida, 2) Diferente da maioria, ele foi o único que a tratou com dignidade e deu conforto após a morte da mãe de Pamela e 3) Ele foi o primeiro e (provavelmente) único romance dela. Já Brynn e Jack tinham um relacionamento como qualquer outro mortal e com problemas que podiam aparecer entre qualquer casal – desentendimentos, falta de apoio familiar, insegurança etc.

Ler A Caçada Selvagem me passou a sensação de só reforçar o estereótipo de que mulheres estão sempre atrás de seus parceiros perfeitos e que não teriam escrúpulos em se sacrificar por eles; uma dependência afetiva irredutível, e sempre vivendo pelo outro.

Tirando esse problema, não me arrependi de ter comprado a light novel. A história é cativante, e como eu pegava pra ler antes de dormir, tinha que tomar cuidado para não ficar lendo demais. No começo ela parecia meio confusa não só pelos cortes de tempo como também na linguagem, de associar elementos abstratos enquanto descrevia as emoções, objetos e roupas dos personagens. Por exemplo, “línguas laranja-amareladas lambendo o que quer que pudessem encontrar, deixando pilhas de cinzas atrás depois que as chamas haviam engolido casas e vidas”.

Por último, temos a HQ. A história começa com um garoto, filho de um jardineiro, que foram contratados para trabalharem numa mansão. Ele era observado de longe por uma garota, Constance, da qual nada sabia se vivia lá ou sua idade. Um dia, ela entrega sua boneca a ele e pede para protegê-la, correndo em seguida. Mais tarde, assassinatos misteriosos começaram a acontecer entre os seis moradores da mansão, pouco a pouco. O final também não é nada feliz.

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