O problema do humor preconceituoso

Um cartaz da Marcha das Vadias (não sei de qual cidade).

O texto a seguir é da autoria da linda da Cely Couto, dona do blog Who the Hell is Cely?, que gentilmente me deu autorização para publicá-lo. Ela expressou com uma maestria enorme o que eu queria dizer com aquele texto sobre pirinerds. Grifos meus.

Eu prefiro um milhão de vezes lidar com pessoas grosseiras, mas que levam as coisas a sério, do que com essa gente que construiu o sentido da vida em torno do mote “é só brincadeira”. Humor também é reprodução de discursos de ódio, e tem, sim, influência política. E pior, por ser colocado em uma categoria inviolável, é ainda mais perigoso. Falo, especificamente, das gracinhas discriminatórias que estão na moda atualmente.

A piada é uma linguagem que dissimula o sério sob uma aparência lúdica. É uma estratégia para dizer o “proibido” e não sofrer retaliação. Dessa forma, quando alguém faz uma piada sexista, racista, lesbo/homo/transfóbica, classista ou qualquer coisa do tipo, está dizendo, com outras palavras “você pode falar o que quiser, mas as coisas são assim e sempre vão ser“. Para que uma piada do tipo “estuprador de mulher feia merece um abraço” seja engraçada, é preciso uma pré-aceitação de que aquilo tem “seu fundo de verdade”, e se alguém é capaz de transformar isso em bom humor, risadas e descontração, minha única certeza é de que não existe qualquer empatia ou preocupação real com o problema. Na verdade, é uma atitude de puro deboche e desprezo, que demonstra uma indiferença perturbadora e uma tentativa de ocultar ou atenuar a própria postura.

Esse tipo de humor é extremamente conservador, porque traz à tona os valores “proibidos”, que enfim estão “pegando mal”. Deveríamos comemorar os pequenos avanços que permitiram, por exemplo, que o racismo seja condenado e proibido, ao menos na teoria. Não era tão engraçado fazer piada comparando negros a macacos quando o racismo era totalmente legitimado, mas, a partir do momento em que a sociedade reprova o preconceito racial, os piadistas voltam a fazer as mesmas e estúpidas gracinhas, alegando o tal do “politicamente incorreto” e se achando super ousados. Quando o estupro começa a ser levado a sério, entrando em discussão pública, lá vêm eles de novo com as suas piadinhas misóginas, prestando um desserviço ao avanço da questão.

Aliás, “politicamente incorreto” mesmo deveria ser o termo para quem não admite a situação política atual, porque quem faz essas piadas está corretamente adequado ao nosso status quo e toda a conduta vigente. Não tem nada de transgressor em tripudiar em cima de minorias na forma de gracinhas, transgressor de fato é desafiar essa postura, exigir respeito para quem nunca o teve. Não tem ninguém mais “politicamente correto” do que Rafinha Bastos, homem, branco, hétero, rico, está tudo “corretíssimo”, de acordo com os privilégios reservados a ele. Quando falamos em pessoa “íntegra”, “correta”, nesse contexto social, só podemos imaginar o cidadão de bem, incorretxs são aquelxs que ousam questionar essa lógica. Incorretos somos nós, que não aceitamos de cabeça baixa a merda que nos enfiam goela abaixo na forma de “humor”.

O humor pode ser uma ferramenta política poderosa, quando utilizado de forma crítica, como uma tática de denúncia. Ou, simplesmente, uma ferramenta que nos permite ter mais leveza no nosso cotidiano, tornar a comunicação mais prazerosa. Mas, no discurso de pessoas mal-intencionadas, ou que estão pouco se fodendo pra tudo e todxs, se torna uma forma de ridicularizar e oprimir quem é vulnerável. Já que a construção de humor que nós temos envolve o ataque àqueles com mais pontos fracos, raro é encontrar piadas sobre executivos de sucesso. Sob o discurso raso de “você leva tudo muito a sério“, eu vejo a tentativa de escapar a qualquer contestação, de transformar o humor em território seguro para expressar ideias violentas e se tornar inalcançável, uma desonestidade tremenda. Fora que a própria indiferença à questão, já seria o suficiente, nem é preciso desmascarar a malícia.

A prepotência é típica nos comediantes do dia a dia, realmente acham que podem falar todas as suas merdas, desde que “bem-humoradas”, sem a contestação de ninguém. Vão ser cobrados, nem que custe o estigma de “mau-humorada”, porque desse tipo de humor cretino eu quero distância.

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27 comentários sobre “O problema do humor preconceituoso

  1. Em certos pontos, concordo, usar o humor como forma taxativa e humilhante é repudiante, mas, acho que está generalizando isso tudo, pois, na minha opinião, esse tipo de humor, não como uma forma de “uma forma de ridicularizar e oprimir quem é vulnerável”, mas sim de chamar a atenção para um público que a cada tempo que se passa, sendo considerados “intocáveis”, tire pelo humor negro, a ideia não é rebaixar ninguém, mas sim caçoar da hipocrisia de falsos moralistas, daqueles os quais se dizem tanto querer o bem da sociedade, de uma classe, mas quando vê algum mendigo na rua, a única coisa que pensa é o quão bebado ele possa estar. Tente ver o lado de quem faz o humor e sabe, assim como que luta, como vocês, por um ideal, o quão é difícil chamar a atenção de pessoas que pensam apenas em seu próprio nariz.

  2. Com certeza um dos textos mais estupidos, reacionário, censor, pseudo moralmente superior, puritano e purista, hipócrita, iludido, controlador de opiniões, patrulhador ideologico, tanto na embalagem quanto no conteúdo que já vi.
    ‎”Não tem ninguém mais “politicamente correto” do que Rafinha Bastos, homem, branco, hétero, rico”
    Alguem, por favor, me da o email dessa pessoa q coloca pejorativamente o fato do cara ser o descrito assima, como se fosse um defeito.. como se isso o tornasse inferior, ou pelo fato de se-lo, houvesse uma automatica e lógica impossibilidade ou proibição de fazer piada.
    Avisa pra essa criatura inominável q ele faz piada de TUDO, CARALHO! De judeu, branco, pobre, rico, viado, hetero..
    Esses filhos da puta reacionarios querem ser especiais.. protegidinhos.. vao pra puta q o paril… perdi a linha… pronto..

  3. Me fez refletir com certeza. Mas realmente entram na questão os discursos de falso moralismo onde o sarcasmo gera alguma reflexão, onde normalmente alguns tipos de humor são entendidos apenas em um estado de pensar sobre o assunto. Mas também há a questão de reproduzir no sentido de perpetuar discursos discriminatórios aliviando a consciencia através do humor mostrando quão engraçado pode ser isso. Tavez sejam duas prerrogativas: A intenção de quem produz a piada, e a interpretação de quem as ouve. Um exemplo é South Park em que as vezes me pego refletindo qual a intenção dos autores em determinados discursos dos personagens, em outros dá pra ver alguma contestação ideológica em que se quer mostrar justamente o contrário através da groceria.

    Parabéns pelo texto, com certeza um belo ponto de reflexão.

  4. Um excelente ponto de vista. Mas este humor politicamente correto tem tido alguns efeitos positivos, como este seu texto que alerta para o ponto de maior vulnerabilidade em nosso modelo de conduta social – o preconceito. Penso que a raiz da conscientização deve iniciar-se no individual para depois atingir o coletivo e isso só é possível com a exteriorização, mesmo que através deste tipo de humor, dos problemas que enfrentamos internamente. Isto chama a atenção para o combate. Agora é questão de reflexão. Grande abraço.

  5. Obviamente cada caso é um caso. É muito fácil apontar para alguem que fez uma piada “preconceituosa” e dizer “você é racista/sexista/machista/preconceituoso” sem dar margem para a pessoa responder e sem saber se ela realmente é ou não preconceituosa. É muito fácil colocar a “massa do politicamente correto” contra alguem hoje em dia, basta uma piada levada por trás e a pessoa recebe até ameaças de morte. E isso é preconceito. Preconceito contra quem leva a vida de modo mais engraçado que você. Preconceito contra os palhaços, assim digamos. A mesma tolerância que você pede você não dá aos piadistas. Eu não gosto muito de jornalistas, mas nunca escrevi um texto contra eles. Enfim, só acho que o mundo só vai perder mais a sua graça, enquanto pessoas (politicamente corretas) tentam forçá-lo a ser preto, cinza e branco.

  6. Resumir as piadas do Rafinha Bastos a sua origem é generalista e infantil. Se ele fosse NEGRO, EVANGÉLICO e morador do morro do alemão como seria? Não gostos de piadas apelativas. Mas o mundo anda muito histérico e cheio de preocupação com o que as pessoas dizem. Odeio o Pânico. Não porque eles apelam na piada. Mas porque é sem graça. Fazer graça com o próximo faz parte. Veja Didi Mocó, Costinha, Ari Toledo e outros mestres do humor. Todos, sem exceção, zombaram de “bichinha”, “alejado”, “negão”, “bêbado”, “mineiro”, “gaúcho”, “carioca”, “médico”, “pai de família” e, inclusive “judeus”.

    Eu entreino blog da Cely e vi que ela é MUITO mal humorada pra ouvir minha opinião e resolvi postar aqui mesmo.

    Viajou na batatinha essa menina.

  7. mesmo com os erros de português, precisava sim. Hoje ser branco e hétero é ser minoria no Brasil. Todo mundo é protegido por lei (exceto os citados ao lado), em um estado onde teoricamente todos são iguais. Pessoas sensíveis a tudo hoje ganham força judicial para brigar por danos morais. sim, danos morais, hoje os “pobrezinhos” vão à justiça para enriquecer em cima dos outros. Daqui a 2 gerações, quem sabe as coisas sejam diferentes, mas nessa época de minorias sensíveis a um”ai” de um senhor de 60 anos que viveu em outra época, é mais uma rebeldia burra e com fins de ganhar dinheiro e se auto promover.

    • “Hoje ser branco e hétero é ser minoria no Brasil”

      Concordo plenamente! Nós brancos estamos em um número tão risível em faculdades que precisamos de cota para diminuir a desigualdade histórica de pobreza e escravidão que sofremos nas mãos dos negros, somos constantemente associados com animais por causa de nossa cor, e nós heterossexuais somos tão discriminados que pensam em “cura hétero”, além da heterofobia ser tão grande que o tempo todo somos mortos nas mãos de gays e bissexuais por causa de nossa sexualidade! O horror, o horror!

      • Infelizmente, vivemos em uma sociedade em que se faz SIM necessário a existência de leis a favor das minorias. O senhor Gustavo está completamente equivocado ao achar que essas leis de alguma forma privilegiam as minorias em nosso país. No entanto, sou completamente contra algumas delas, como por exemplo as cotas raciais. Cota racial é racismo. É inferiorizar uma parcela da população com base apenas na cor de sua pele. O sistema de cotas por si só já acho lamentável, pois acaba sendo uma estratégia para aliviar a responsabilidade de se melhorar o ensino público, que deveria ser o verdadeiro objetivo. No entanto, sou capaz de entender perfeitamente as cotas SOCIAIS, pois assim você alcança as pessoas que estão realmente menos favorecidas socialmente e os ingressa na Universidade. Cotas raciais no entanto, não garantem nada. Você pode dizer que os negros estão em uma posição de desvantagem social no país, mas isso não é uma verdade absoluta. As cotas raciais acabam favorecendo aqueles que não estão em posição social desfavorável.

    • Vc está completamente enganado meu camarada… Gays sempre foram e serão minoria pois não costumam passar de 10 % da população humana. O fato é q hoje simplesmente eles estão mostrando que existem (como sempre existiram) porém sempre foram violentados, humilhados pela maioria heterossexual. Da mesma forma o negro também sofreu uma monstruosidade na mão do povo branco europeu e oque está acontecendo hoje é simplesmente uma espécie de acerto de contas por tanto tempo de injustiça. E do mais branco e heterossexual nunca foram alvo de chacota, humilhação e violência nesse ocidente europeizado que vivemos, mas agora se vc é homossexual e/ou negro a mais hoje e principalmente a mais de 50 anos atrás seria considerado nada mais q um monte de estrume pela bela sociedade branca heterossexual que vc diz q sofre tanto com preconceitos…

      Mimimimi para esse comentários de heterossexuais brancos que se acham os bons mais num sabem nem usar o cérebro para avaliar melhor o mundo antes de fazer eses comentários rídiculos e sem fundamento algum

  8. O texto realmente fala algo que devemos sim refletir… porém vejo que o problema não está no humor de forma nenhuma, mas no conteúdo do humor e a forma como utilizamos isso… Se vc é negro, gay e vive ouvindo piadinhas ofensivas sobre cor de pele e sobre sua sexualidade, certamente vai ficar ofendido de alguma forma. Podemos fazer humor, piadas, mas sem apelação ofensiva e observar se realmente não estamos agredindo quem está ouvindo, que pode até rir no momento, mas aquela piada pode ter doido mais pra ele do que um soco na cara!!! Isso é o mesmo que haver uma pessoa deficiente no seu convívio e vc fazer piadinha sobre a deficiencia dele sem ele estar bem resolvido com aquilo… Somente a pessoa pode dizer se está preparada pra brincar com sua situação, e quando isso acontece,,, isso é cartão verde de que podemos ir adiante, mas não podemos tomar a dianteira e fazer a piada sem saber o que a pessoa realmente sente e pensa a respeito daquilo…

  9. Concordo plenamente. Falou tudo o que eu penso. E o comentário de tfantoni foi pra acabar! hahaha Demais! Parabéns! É como eu sempre digo: “só quem não tem criatividade pra saber fazer humor de verdade é que apela para preconceito… preconceito é coisa de gente sem talento; sem imaginação… fazer rir é difícil, e se não há criatividade o suficiente para fazê-lo, o sem talento apela para o preconceito, pois a massa que se acostumou a debochar das minorias irá achar graça até mesmo se falarem deles mesmos”. Todos os que eu já vi se intitularem de “politicamente incorretos” são os maiores imbecis que eu já conheci em toda a minha vida. “Vão ser cobrados, nem que custe o estigma de “mau-humorada”, porque desse tipo de humor cretino eu quero distância.” – Somos duas.

    • Hahaha valeu, tem hora que precisamos usar da ironia com quem é privilegiado, nega ter mais privilégios que os outros e muitas vezes fica na postura “mimimimi olha que coisa horrorosa esses gays, negros e mulheres terem seu dia, também quero dia do homem/conscientização branca/orgulho hétero mimimimi”

    • Sem dúvida, o pior comentário que já ouvi é quem diz que “não existe humor politicamente correto”. Como você disse, é uma questão de criatividade. Humor politicamente incorreto é muito fácil. Qualquer um consegue fazer.

  10. “A piada é uma linguagem que dissimula o sério sob uma aparência lúdica.”

    Tem muita gente que usa ironia como máscara mesmo, né? Saem despejando preconceitos e ferindo os sentimentos dos outros sob a desculpa de que “é brinksss” e quem não concorda é porque não tem senso de humor. Vivemos na cultura do “brinks” hoje em dia.

    Adorei o texto. ^^

    • Não é nem a ironia propriamente dita, mas gracinhas como as que o Rafinha vomita, e se nego assim recebe reclamações por parte de alguém, se recusa a sair da zona de conforto para entender de porquê é ofensiva.

      Fico contente que tenha gostado (:

  11. Amo seus posts, concordo com tudo, mesmo sendo homem. Sempre achei que todas essas piadas (“volta pra cozinha”,”tinha que ser mulher no volante”) são um meio de propagar o machismo. Isso também vale para as piadas contra homossexuais e transsexuais, que eu não gosto, nem acho engraçadas.

  12. Ok, vamos lá.
    Primeiramente, eu gosto de humor negro, de todos os tipos. Gosto mesmo, e não nego.
    A primeira frase nesse texto já me chamou a atenção: “Eu prefiro um milhão de vezes lidar com pessoas grosseiras, mas que levam as coisas a sério, do que com essa gente que construiu o sentido da vida em torno do mote ‘é só brincadeira’.” Delimitou bem a personalidade da pessoa que escreveu, que é exatamente oposta a minha. =D
    Mas temos que dar o braço a torcer. Há verdade no que foi dito. É óbvio que o humor é uma forma de moldar a forma de pensar das pessoas, não há como negar. Também é verdade que as pessoas o utilizam como subterfúgio para expressar pensamentos de forma mascarada. A questão do “tudo é permitido”, em que uma reação de protesto é tachada como censura, que permite com que você expresse qualquer pensamento repudiável enquanto se isenta da retaliação.
    Contudo, acho muito triste levar tudo a sério.
    Falo isso porque as pessoas mais indiferentes a essas situações que eu conheço não levam essas piadas a sério. Algumas podem até dizer que é de mal gosto, mas acabam rindo no final. E isso reflete uma característica que foi dita no texto, que é a indiferença.
    A indiferença é a única coisa que pode levar realmente à igualdade social. É claro, é MUITO fácil falar assim. Chega a ser utópico. Mas se você não consegue lidar com a ridicularização de forma indiferente, é porque você não superou aquilo na sua cabeça. Eu acho que há espaço pra esse tipo de humor sim. Não em uma situação onde pessoas vão se ofender, mas em uma situação em que pessoas vão rir daquilo sem se importar com o real significado social daquilo. As pessoas podem criticar e dizer que você deve sim se importar com o que você fala, mas acho que o humor deveria ser uma válvula de escape disso tudo. Ninguém gosta daquele amigo mal-humorado que se ofende com qualquer coisa que você fala. É muito mais agradável aquele que ri com você.
    É claro que esse tipo de humor não deve ser uma coisa habitual, mas a intenção do humor é o mais importante. Existem pessoas que realmente fazem piadinhas machistas com a intenção de diminuir o sexo feminino. Vejo isso acontecer com frequência. Mas quando a intenção é só fazer uma pequena brincadeira em um momento específico, sem a intenção de ofender ningu´[em, acho perfeitamente válido.
    O problema que eu vejo em relação a condenar esse tipo de humor de forma absoluta, é a reação negativa desnecessária que vejo por parte de quem é alvo desse tipo de humor. E não estou dizendo de casos como o da piada escrota do Rafinha Bastos, que foi realmente apelativa.
    Mas já me deparei em uma situação em que uma pessoa fez um comentário só pra ser engraçado, sem nem mesmo pensar sobre a situação da qual estava “ridicularizando”, e essa pessoa foi severamente ofendida depois. Foi quando houve o acidente do filho do Leonardo, em que saiu uma notícia que ele já havia perdido 27 quilos por causa do acidente, e alguém colocou no twitter: “Quero ser atropelada também.” Logo depois, dezenas de pessoas apareceram para xingar, com comentários do tipo: “Sua gorda escrota”, “tinha que ser gorda mesmo pra falar uma merda dessas.” Sendo que a “piada” dela não teve intenção de ofender ninguém. Ela não desejou mal ao acidentado nem nada, apenas ridicularizou uma situação que já havia passado. Logo depois as pessoas ofenderam diretamente a ela pelo comentário. Quer dizer, é válido você ofender uma pessoa por causa de um comentário bobo?
    E isso acontece justamente por causa dessa condenação excessiva sobre essas piadas. Como já disse antes, concordo com vários pontos do que foi dito, e também acho que usar apenas desse humor é uma desculpa esfarrapada pra fazer piada fácil. Mas o ponto que eu quero levantar é: Não tratem isso como verdade absoluta. Se você pesa pra um lado, você enraiza sim um preconceito que precisa ser eliminado da nossa sociedade, mas se você pesa pro outro lado, você inverte certos valores, e passa a ser condenável o simples ato de expressar a criatividade humana, quando não existe nenhuma intenção negativa por trás.
    Pode ser que eu esteja errado, e que esse seja um preço que deva sim ser pago para se eliminar o preconceito, mas ainda sim me mantenho firme na posição de que a perda desse tipo de liberdade nos momentos certos seria um passo pra trás na nossa sociedade.

    • “Existem pessoas que realmente fazem piadinhas machistas com a intenção de diminuir o sexo feminino. Vejo isso acontecer com frequência. Mas quando a intenção é só fazer uma pequena brincadeira em um momento específico, sem a intenção de ofender ningu´[em, acho perfeitamente válido”

      A questão é que quem é preconceituoso geralmente NÃO vai reconhecer isso, mesmo que você aponte argumentos para afirmar o contrário. Fazer uma piada com ou sem a intenção de ofender alguém diretamente não vai deixá-la mais ou menos ofensiva – a mensagem é a mesma para o receptor. Sabe a máxima “não tenho preconceito, mas…”? Quem diz isso costuma falar alguma merda após o “mas”, e tem a necessidade de afirmar que não é preconceituoso na tentativa de amenizar esse efeito. Conhece esse tumblr? http://naotenhopreconceito.tumblr.com/ É bem assim que funciona. É a ignorância (no sentido “cru” da palavra, de não ter conhecimento) da pessoa que faz isso.

      “Mas já me deparei em uma situação em que uma pessoa fez um comentário só pra ser engraçado, sem nem mesmo pensar sobre a situação da qual estava “ridicularizando”, e essa pessoa foi severamente ofendida depois”

      Exatamente, pelo motivo que apontei acima. O comentário que essa mulher fez foi idiota, mas penso que você cair em cima dela xingando de tudo (e ainda com comentários gordofóbicos) não vai fazê-la entender do porquê de isso ser ofensivo. Na verdade, você só vai mostrar que é mais babaca do que ela. Isso não é entender o problema pela raiz.

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