Dos valentões aos heróis: Homofobia nos jogos – Parte 3

Aaaaah! Finalmente chegamos no terceiro e último texto da “trilogia” do Student Pulse. É isso aí negads! E se você veio agora, leia a primeira e a segunda parte antes de mais nada! Espero que toda a paciência que tiveram pra ler tudo tenha valido a pena pra vocês. Deu um trabalho dos infernos, mas foi compensador.

Berlant e Warner não achariam isso surpreendente. Ao falar sobre vizinhanças gays sendo dizimadas e livrarias adultas que antes eram um espaço seguro para homens gays se encontrarem e fazerem conversas fechadas, Berlant e Warner insistem: “Agora, os gays que querem materiais sexuais ou que desejam conhecer outros homens por sexo terão duas opções: eles podem investir no público virtual privatizado por sexo no telefone e na internet; ou eles podem viajar para pequenas áreas, inacessíveis, com pouco tráfego e mal iluminadas, distantes de transportes públicos e longe de qualquer residência, principalmente no litoral, onde usuários de pornô heterossexual também serão realocados em que o risco de violência será consequentemente maior” (Berlant e Warner 551). Gaymer, Lesbian Gamers e outros inúmeros sites de jogos voltados para a cultura queer não teriam que existir se fosse concedido a eles uma voz em sites heteronormativos. As comunidades vêm nas mais variadas formas, mas infelizmente, para ser permitido em comunidades heteronormativas, os jogadores devem seguir as regras e regulamentações heteronormativas. Quem não obedece essas regras são expulsos da comunidade por assédio, bullying e alienação. Muitos jogadores gays perguntam quanto tempo vai durar essa segregação. Infelizmente, Berlant e Warner concordam que, enquanto a cultura heteronormativa prevalecer, a ideia de uma comunidade igualitária é “inimaginável” (Berlant e Warner 557). A cultura queer sempre foi vista como contracultura e inferior à sociedade heteronormativa dominante. Até a cultura queer se infiltrar nessa sociedade, a segregação sempre terá seu lugar nos espaços públicos. Não incluir personagens queers dentro dos jogos só vai favorecer a segregação, e mais comunidades segregadas chegarão, o que é mais difícil para uni-los.

Para atingir essa utopia de uma cultura combinada, é essencial que os jogadores gays devem parar de viver dentro dos limites de sua sociedade heteronormativa. Ao esconder suas verdadeiras identidades, ódio, racismo e homofobia continuarão correndo solta. A aceitação nos jogos não só vão preparar o caminho para essa futura cultura, mas eventualmente a levará para o sucesso. Não se pode discutir que a forma que avatares queers são retratados nos jogos refletem a realidade. Jogadores gays estão tentando provar-se constantemente, mas eles são eternamente inferiores à hegemonia dominante, que neste caso passa a ser branco, masculino e heterossexual.

Felizmente, isso não quer dizer que o progresso não está sendo feito. Jogos populares como World of Warcraft e The Sims estão quebrando fundamentos por assumidamente incluir avatares queers dentro dos jogos. Apesar de não serem reconhecidas no mundo heteronormativo, sempre haverá comunidades queers em que a cultura queer não é apenas praticada, mas também celebrada. Jogos como Fable ou Bully pioneira seu caminho através da sociedade heteronormartiva. Lenta mas firmemente, esses jogos começaram a expandir a área cinzenta entre o binário heterossexual e homossexual na esperança de que um dia esse binário entre as duas culturas não existam mais. No seu lugar cinzento perpétuo. Bullying, racismo e ódio não têm que existir, mas não vão parar durante à noite. A aceitação de criadores e fabricantes da cultura queer irá eventualmente ajudar na fusão entre as duas culturas, os dois binários, e fará uma cultura que é celebrada pelo amor nele.


Berlant, Lauren e Warner, Michael. “Sex in Public.” Teoria Crítica. Inverno de 1998: 547-556.

Bryne, Snorre. “Gjett Hva Amerikanske Foreldre Svarer…” Dagbladet. 11 de abril de 2008. 19 de novembro de 2009.

Cole, Justin J. “Guest Op/Ed: The Impact of Homophobia in Virtual Communities”.

Kotaku.com. 10 de julho de 2009. 13 de dezembro de 2009. Virtual-communities.

Davison. John. “Attitudes to Sex and Violence”. 9 de abril de 2008. 19 de novembro de 2009.

Hsu, Jason. “Video Games Lack Female and Minority Characters”. Live Science. 03 de agosto de 2009. 13 de dezembro de 2009.

Interview with Anna Anthropy”. Lesbian Gamers. 19 de dezembro de 2008. 19 de novembro de 2009.

Silverman, Ben. “Controversial Games”. Yahoo! Games. 17 de setembro de 2007. 19 de novembro de 2009.

Sliwinski, Alexander. “Gay Gamer Survey Results with Large Hetero Inclusion”. Joystiq. 26 de fevereiro de 2007. 15 de dezembro de 2009.

Varsavsky, Martin. “In Fable on the Xbox There’s Gay Love an Gay Marriage”. 02 de abril de 2008. 19 de novembro de 2009.

Bom, é isso. Se você conhece mais textos abordando sobre minorias sociais nos jogos ou algo parecido, não hesite em compartilhar!

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2 comentários sobre “Dos valentões aos heróis: Homofobia nos jogos – Parte 3

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