Comentando: Sozinha no Mundo

A protagonista da história, Pimpa, no detalhe da capa do livro lançado em 1995. Esta ilustração e as outras encontradas no miolo foram criadas por Marcus Sant’Anna. Muito melhor do que a capa da edição mais atual, aliás.

Velharia é o que há! No caso desse livro, originalmente publicado em 1984 e sendo a estreia juvenil de Marcos Rey, foi uma obra que devo ter conhecido nas primeiras séries do fundamental. Foi um dos pouquíssimos livros que lembro de ter lido da série Vaga-lume, e não importa quantas vezes eu o leia, não consigo enjoar, assim como me sinto ao reler Ella Enfeitiçada.

Pimpa, uma garota de 14 anos, viaja de ônibus para São Paulo com a mãe, Aurora, vindo de uma cidade do interior chamada Serra Azul. As duas foram à procura de um parente, “tio” Leonel, pois Aurora estava muito doente e precisava de dinheiro, principalmente depois que os cheques mensais que recebia dele pararam de vir. No ônibus, a menina conhece um simático rapaz cinegrafista chamado Noel, acompanhado com a dona Berenice, sua mãe. Não demora muito tempo e a mãe dele, que já fora enfermeira, anuncia uma má notícia inesperada: Aurora está morta.

Agora órfã de pai e mãe, Pimpa foi levada ao juizado de menores. Noel e a mãe precisaram negociar bastante com o juiz para convencê-lo que eram capazes de assumir a guarda da garota enquanto uma assistente social procurava por tio Leonel. Pouco tempo depois, uma mulher estranha e agressiva aparece na casa de Noel afirmando ser a tal assistente social e insiste levar Pimpa ao juizado. Ao perceber que ela a levaria, nem que fosse à força, consegue um pouco mais de tempo quando pede pra fazer a mala e foge. Sua última esperança estava em uma conhecida de Leonel, chamada Regina Castelo. Aurora se correspondia com ela quando precisava, até o momento que parou de receber respostas.

A “bruxa perfumada”, se afirmando ser a assistente social de Pimpa, tentando levá-la à força ao juizado.

Viajando sozinha e meio desnorteada, Pimpa finalmente encontra Regina internada num hospital. Mas se depara com um problema: ela tem amnésia. Sua única opção era esperá-la em voltar à memória, e enquanto isso, vagava pela grande São Paulo. Durante a história, ela se refugia em vários lugares, como num parque de diversões de uma mulher viúva, na casa de um professor com intenções duvidosas que abrigava garotas para ensinar etiqueta e dramaturgia, num pensionato com uma garota rica que conhecera lá e na casa de uma ex-atriz que cuida de cachorros de rua; sempre sendo perseguida incansavelmente pela suposta assistente social, descrita frequentemente como uma “bruxa perfumada com um fusca preto”.

Apesar de ser infanto juvenil, considero o livro com uma história de suspense muito bem bolada, narrativa agradável de acompanhar e com um vocabulário perfeitamente acessível. As ilustrações do miolo são excelentes e captam muito bem as situações destacadas. Por outro lado, há duas coisas que me incomodaram um pouco: o excesso bizarro do autor escrever “dum/duma” (que talvez esteja relacionado à época do livro, não sei), seja como narrador ou como personagem, e a maneira que ele descrevia a aparência de alguns deles, que pra mim soava meio depreciativo em alguns momentos. “Era uma garota da sua idade, que seria bonita se não fossem dois dentinhos acavalados”; “Marina [a menina rica que morava no pensionato], demonstrando com o garfo por que era tão gorda (…)” e por aí vai.

Agora, um pequeno detalhe que fiquei com uma pontinha de preocupação antes de reler, era o capítulo “O que faz Pimpa numa passeata feminista?”. Quem acompanha o blog há um tempo considerável já percebeu o porquê. Como não conheço Marcos Rey, imaginei a possibilidade do cara ter descrito as feministas de maneira equivocada e preconceituosa. Bem, isso não chegou a acontecer como imaginava. No máximo tem duas situações meio “meh”, em que na primeira as feministas começam a chutar carros de homens que as insultavam e na segunda, quando a líder pergunta se o pai de Pimpa sabia que ela estava lá e, ao responder que ele abandonara a esposa antes de morrer, a mulher responde que homens “são todos iguais”.

Por fim, tomei a liberdade de escanear todas as ilustrações à tinta do livro e disponibilizar pra vocês, de tanto que gostei delas. Não encontrei nenhuma informação significativa do autor, nem mesmo coisas básicas como se ainda está vivo ou o que faz da vida hoje. Como as imagens vêm com trechos do texto, contém alguns spoilers.

Use o botão direito para ver as imagens na resolução total.

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8 comentários sobre “Comentando: Sozinha no Mundo

  1. Impressionante como não me lembro de praticamente nada da história desse livro. Mas quando eu tinha uns 14 anos li esse e vários outros da coleção Vagalume, que eu adorava… o Marcos Rey era o meu autor favorito. Gostava especialmente das histórias de mistério estreladas pelo Leo Fantini, “O Mistério do Cinco Estrelas”, “Um Cadáver Ouve Rádio” e talz…

  2. Amava esse livro rs! Legal a lembranca…o cover do livro foi parar no meu blog para um paralelo diferente rs! Um cadaver ouve radio! Nossa, nao lembro nada do livro mas como poderia esquecer esse titulo rs?!

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