Falsa Equivalência

Quadrinho originalmente tirado do site ShortPacked! (e deu o que falar nos comentários) do qual fiquei sabendo pelo excelente tumblr Escher Girls, decidi trazê-lo pra cá por resumir em pouquíssimas palavras a diferença enorme que caracteriza a escolha do visual dos super heróis e heroínas. Traduzi-lo foi consideravelmente difícil, tanto que fiquei numa dúvida enorme com isso de “welcome to the background radiation of my life”, do último balão (além de outras partes, mas essa foi a mais estranha). Por isso, como sempre, sugestões para melhorá-lo são sempre bem-vindas.

UPDATE: Vi hoje um ótimo texto no Shoujo Café sobre a maneira que mulheres aparecem nas HQ’s e a reação das leitoras. Leiam, vale a pena!

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5 comentários sobre “Falsa Equivalência

  1. Mas veja, existem várias razões pra esse tipo de coisa acontecer, e nem todas essas razões são necessariamente demonizáveis.

    Em primeiro lugar, é muito natural que um artista (não só nos quadrinhos) imprima na sua obra uma visão própria do que ele vive ou, no caso, o que gostaria de viver. Não é de surpreender mesmo que os caras desenhem homens fodões e mulheres lindas. Desenhar é mais prazeroso quando você desenha aquilo que tem vontade. Se quem criasse as HQs de super-heróis fossem mulheres, teríamos um universo totalmente diferente nessas histórias, com todos os personagens e cenários ganhando um aspecto que fosse mais agradável ou desejável para elas mesmas.

    Em segundo lugar, as mulheres não veem tanto problema em consumir obras protagonizadas por homens, mas o contrário não acontece muito. Dificilmente algum homem compraria uma revista da Red Sonja (na verdade eu não sei se a Sonja já teve uma revista própria, mas enfim) se ela não fosse toda turbinada e se não andasse seminua pela floresta. O cara correria o risco de ser zoado por alguém, tipo… “revista de mulherzinha”, entende? O visual mais atraente da personagem se torna uma justificativa pra esse público. O mercado impõe que seja assim.

    • Beleza, mas isso não quer dizer que é algo natural e totalmente sem influência de um estereótipo degradante, e o ponto é justamente questionar essa questão.

      Agora isso de um aspecto mais agradável pra mulheres se fosse feito por elas mesmas é MUITO questionável. Mulheres também alimentam o estereótipo de objetificação feminina e da representação de força com uma bomba de testosterona, então se a maioria dos criadores das HQ’s fosse a gente, teríamos ambos os lados: Quadrinhos iguais ao que vemos hoje no mercado e aqueles que não objetificariam tanto assim as mulheres. É óbvio que é prazeroso desenhar o que gosta, mas esse “gostar” é puramente moldado pela sua cultura e educação.

      É óbvio que o mercado quer isso. Ainda mais no caso dos quadrinhos, ele está ignorando totalmente o público feminino, e não é preciso pensar muito para perceber isso. Ficou sabendo da mudança da Estela durante o reboot da DC? Ela foi alvo de crítica por ter alterado completamente a antiga personagem. Mais explicações aqui: http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2012/02/guest-post-reflexoes-sobre-uma.html

      E velho, tem que ser um puta escroto em acusar uma revista de mulherzinha por não ter uma mulher turbinada no meio. Isso é ridículo. E mais: mesmo se isso acontecesse, o que há de TÃO ofensivo em fazer alguma coisa de “mulherzinha”? Percebeu que isso também está depreciando diretamente o público feminino?

      Eu peço honestamente que você pare um pouco para refletir sobre a questão.

      • As mulheres desenhistas reproduzem o padrão visual dos quadrinhos de super-herói tradicionais porque isso é o que elas cresceram vendo… imagino que se elas fossem criar personagens ainda quando esse gênero começou a surgir, na primeira metade do século XX, elas fariam à sua própria maneira.

        E só pra esclarecer, a aversão a histórias protagonizadas por mulheres não é compartilhada por mim.

        • Concordo em parte. Como já esqueci o pouco que li sobre a formação dos quadrinhos americanos que Scott Mc Cloud explica, não tenho muito argumento para prever a possibilidade dessa diferença visual se tivéssemos mulheres desde o começo. Em relação ao pouco conteúdo que eu vi da Mulher Maravilha mais ou menos na época que nasceu, por exemplo, dá a impressão que o nível de estereotipado que conhecemos hoje que existem nas mulheres é mais recente do que aparenta.

          Aaaaah, aí a coisa muda totalmente. Como o que você disse é meio “universal” no sentido de já ser conhecido no meio, realmente parecia que o seu comentário era com o intuito de defender essa visão. Ficou subentendido =p

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