O vício das cores da infância

Cores, cores e mais cores, YAY!

Faz um tempinho eu queria abordar o assunto, e lendo esse texto interessante do RioComicon hoje foi o que me estimulou a fazê-lo.

Aí, como vocês podem ler, existe algo em comum nas pinturas feitas por iniciantes na escolha de cores que a autora recebe. E olha só que interessante, ela percebeu que era igual à paleta de cores que a maioria de nós usamos quando crianças. Claro, é só uma teoria, mas com o que eu falarei a seguir, pode ser que ajude a reforçá-la.

Lá por 2008, eu conheci uma professora emérita de arte da Califórnia chamada Betty Edwards. Através de um dos livros de desenho que ganhou maior popularidade, Desenhando com o Lado Direito do Cérebro (e atualmente difícil de achá-lo barato), foi extremamente determinante no meu aprendizado de desenhar realisticamente. Inclusive, eu consegui (provavelmente) todos os livros que foram publicados no Brasil até agora e pretendo escrever mais detalhes sobre eles e suas diferenças futuramente, quando eu me forçar a relê-los.

E o que isso tem a ver? Betty Edwards se baseia nos estudos feitos sobre os hemisférios do cérebro e suas funções distintas, praticamente opostas. Ela diz que quem não sabe desenhar, na verdade, está simplesmente usando seu hemisfério esquerdo, que associa imagens à símbolos.

Tá vendo um ser humano nessa imagem, ou mais provavelmente um homem? Então, é por causa do seu hemisfério esquerdo.

Por causa disso, mesmo que você tenha mais de 50 anos, repetirá os mesmíssimos desenhos que você fazia na primeira série. Então, por que isso seria diferente com as cores? As árvores são sempre verdes, as frutas sempre são vermelhas; o chão é um gramado igualmente verde como a árvore e montanhas são sempre marrons. E por aí vai.

Eu percebi esse “vício” quando comecei a me aprofundar na pintura, especialmente a digital. E esses padrões acabam atrapalhando bastante no começo, pois você não consegue enxergar com tanta facilidade a complexa variações de tons que uma única imagem ou objeto pode ter. Além do que, uma única cor pode se parecer com outra dependendo das cores que a rodeiam. Já viu aquelas ilusões de óticas que mostram exatamente isso?

Meu exemplo favorito de ilusão de ótica no quesito tonalidade.

Aí é fácil ver que os quadrados são da mesma cor por causa da resposta pronta, mas se você tentar olhar os outros sem ela, certamente não notará a semelhança. É a mesma coisa que juntar vários pedaços de papéis coloridos e jogar uma cor igual em todos eles. Sua percepção mudará para cada fundo diferente.

Por fim, se você é iniciante na pintura, eu recomendo que pegue fotos com cores e contrastes diferentes, especialmente quando o elemento da imagem em questão estiver recebendo uma fonte de luz que não seja branca, como o amarelo de um pôr-do-sol. Abra essas imagens num programa qualquer de edição (o Paint é suficiente) e use o conta-gotas para isolar as cores. Depois, treine com imagens ao natural, copiando os tons por observação. Misture cores para formar outras através de degradês ou sobreposições, até conseguir o tom aproximado. E evite usar cores saturadas, pois elas raramente existem “na natureza”, incluindo preto e branco puros.

Se precisar de ajuda além do que foi mencionado, não hesite em se manisfestar.

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Um comentário sobre “O vício das cores da infância

  1. Pingback: A didática fascinante de Betty Edwards « Colchões do Pântano

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