WITCH e sua morte necessária

Na falta de uma imagem agradável e sem um monte de textos em cima, decidi escanear a imagem da revista que eu tenho. Ilustração com Hay Lin para iniciar o capítulo “O poder do fogo”.

Em 2002, a editora Abril começou a lançar uma revista originalmente italiana voltada para o público pré-adolescente chamada WITCH, sendo a Disney detentora dos direitos autorais. Eu tinha uns 9 anos na época e minha irmã, 10 ou 11. Uma amiga do bairro mostrou uma das primeiras edições para nós, e aí começamos a colecioná-la também. Depois de quase um ano a minha irmã já tinha perdido boa parte do interesse, mas eu insisti em continuar comprando a revista. Cheguei até mesmo a fazer uma assinatura de 2 anos com ajuda de minha mãe (que não incluía as edições especiais que saía de tempos e tempos e era bem mais cara, mas mesmo assim comprava tudo). Demorou um tempo considerável para eu enjoar delas e fazer a burrice de doar TODAS ELAS, até então umas possíveis 60 revistas, senão mais. Acho que até os “brindes” que vinham nelas foram junto.

Mais pela nostalgia que tem me influenciado bastante há uns dois anos, decidi que seria interessante rever alguma coisa da história. E é uma maneira bacana de descobrir o quanto os seus conceitos e interpretações mudaram desde então. E apesar de eu ter relido várias edições no final do ano passado, acabei parando e perdi o fio da meada, mas vou dar um resumão pra quem não conhece.

A história começa com seis garotas com a idade variando entre 13 e 14 anos: Will, Irma, Taranee, Cornélia, Hay Lin e Elyon. Todas estudam na mesma escola e a princípio são estudantes comuns, mas com o dia do Halloween se aproximando, as cinco primeiras percebem fenômenos e sonhos estranhos ocorrendo de maneira similar com cada uma. E é numa reunião na casa de Hay Lin que sua avó, Yan Lin, revela que elas são as “escolhidas de Kandrakar“, uma dimensão no centro do universo e no coração do infinito. Lá, existe uma espécie de Congregação, e o cabeça que decide tudo, o Oráculo, as escolhem para proteger Kandrakar das criaturas malignas do Metamundo, meio que um universo paralelo.

Dessa forma, Will carrega um amuleto com os maiores poderes provenientes de Kandrakar condensado, tornado-se a líder do grupo e importante para a ativação dos poderes elementais das outras. Já a Elyon, que ficou de fora, descobre de maneira brusca sua origem e passado por Cedric, uma cobra humanóide enviada do Metamundo por seu irmão traiçoeiro Phobos, fazendo com que ela se rebele contra as amigas e gerando os primeiros conflitos da trama.

Não vou mentir, a história não é ruim a princípio. O estilo e formato da revista é extremamente copiada do modelo comumente usado nos quadrinhos americanos. Desenhos com características do mangá, pintura relativamente boa, tradução marromenos… Os problemas começaram a aparecer e piorar à medida que a revista era publicada.

Primeiro, eu penso que a editora Abril subestimava parte do seu público. A adaptação das falas das garotas são uma merda de tão artificiais. É o tipo de coisa que você lê e pensa “mano, nunca vi uma guria dessa idade falando desse jeito”. Não que seja assim o tempo todo, mas olha…

Segundo, questão comercial. No começo era uma beleza: preço bom, qualidade do papel ok, uma boa quantia de páginas para ler a história. Não demorou muito e o papel da capa foi substituído por um negócio mais frágil, menos páginas, leve queda do preço que depois aumentou absurdamente, um brinde mais merda que o outro. Que de graça não tinha nada.

Terceiro, qualidade da HQ. O estúdio responsável pela WITCH aparentemente não tinha roteiristas e quadrinistas fixos, pois a forma que a história mudou de rumo e os desenhos e pintura ficavam cada vez mais mal feitos era muito óbvia. Tinha vez que dava até vergonha de ver.

Por causa desses fatores e outras filhadaputices na versão nacional, como em tirar METADE de um dos arcos da edição regular e transformá-la em edição especial avulsa (mais ou menos na aparição de uma nova personagem, Orube), eu vejo a morte da revista como necessária. Ela passou pelo mesmo mal típico dos comics: história infinita. A última revista lançada na Itália foi a edição 139, relançando as primeiras edições posteriormente; enquanto a última publicada no Brasil foi a 95º, lá por 2010. E está incompleta até hoje. É compreensível, já que a idade dos antigos leitores mudou e a concorrência aumentou gradualmente. Na falta de inovações, preços abusivos e queda de qualidade, a falência era previsível.

Se você achava que as “roupas de bruxinha” já eram meio carnavalescas o suficiente, eu devo lhe dar más notícias…

Detalhe: Quem assinava parou de receber exemplares novos e tendo seus créditos desviado para outra revista da editora, e quem quisesse comprar o resto, tinha que comprar na banca, indicando claramente que era obrigatório um número mínimo de assinantes para justificar a vantagem de preço menor da assinatura.

Passa o tempo e quando pesquiso a respeito da WITCH, encontro este blog de fãs, que escanearam as edições antigas e no momento estão traduzindo os capítulos que não vieram pra cá. Sem dúvida ajuda muito, mas a completa falta de cuidado (especialmente) no tratamento das primeiras revistas incomodava horrores durante a leitura e isso me incentivou a comprar algumas de novo no Mercado Livre. Como velha fã, valeu a pena pra mim.

Quase ia esquecendo de uma coisa: a HQ ganhou uma série animada, atualmente com duas temporadas e totalizando 52 episódios. Até tentei assistir o comecinho, mas é um horror em todos os aspectos. A dublagem brasileira não ajudou muito…  E é engraçado ver um Gollun verde inédito com elas. Como bônus, foram lançados livros baseado no universo das garotas (o único que eu tinha era da Hay Lin) e, mais recentemente, uma versão mangá “de verdade”. Esse eu tenho vontade de dar uma olhada.

Futuramente, pode ser que eu faça uma análise melhor focando a história propriamente dita.

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15 comentários sobre “WITCH e sua morte necessária

  1. Pingback: Comentando: WITCH mangá | Colchões do Pântano

  2. Meu pai me deu a primeira revista W.I.T.C.H. qndo eu tinha uns 11 anos +ou-…me apaixonei e passei à comprar tds à partir daí..até as edições especiais…qndo meu pai me deu jah era a edição 35 depois eu dei um jeito de conseguir edições anteriores…parei na edição 59 e hoje em dia , tenho 20 anos e uma filha com três..minhas revistas ficaram para ela…varias jah foram rasgadas, mas ainda tem algumas…adorava elas! (tbm detestei o desenho…é horrivel) As witches fizeram parte da minha adolescencia e ainda gosto delas até hj 😉

  3. Nossa eu era MUITO viciada na revista , comecei acho que na revista 17 e fui ate acho que 43, sendo que comprei as anteriores, soh parei mesmo pq minha mãe não comprou mais ;/
    Fico triste em saber que deve um fim tão ruim assim , pq eu amava o hp *—*

  4. Sempre vejo comentários das pessoas e não vejo ngm q tenha sido tão fã quanto eu. Comprei as duas primeiras e amei, mas depois não comprei mais até a edição 20. Quando recomecei com a edição 20 fui atrás de todas as outras e completei minha coleção. Parei na edição 82 pq um menino de 15 anos comprando W.I.T.C.H não pegava muito bem kk
    Mas sempre que passava pelas bancas e via a revista me dava um aperto no peito, tanto que na edição 93 voltei a comprar, para então descobrir que a edição 95 seria a última.
    Eu chorei muito lendo a ultima edição, e até hoje me sinto órfão de WITCH 😦 Mesmo eu com meus 21 anos de idade…
    Passei muito perrengue na escola por conta de gostar dessa “revista de menina”, mas meu amor por WITCH sempre foi maior ❤

  5. Ganhei a nº1 e a nº2 de presente, e comprei mais algumas… Se naquela época eu soubesse que era tão valiosa teria guardado… Hoje gosto ainda mais da história e não tenho mais as revistas…

  6. Você tem razão sobre a série animada ser horror em todos os aspectos; então eu prefiro somente os episódios O começo e A continuação, pois na moral, representam o burlesco, a pornografia do líder em belezas, em pornografia: Walt Disney. Eu entendo a dor dele pela revista italiana; ele nunca foi um ótimo escritor, só a versão desenhista de Bruna Surfistinha mesmo. Se não reparou, eu acredito que aquele mago Walt Disney esteja vivo através da boa, burlesca e velha magia negra!!! 😊😊😆🔱🔱⌛⏳🔯🔯🔯🔯🔯

  7. E teu artigo repercute até hoje! Eu também fiz a cagada de doar as minhas witchs, sabe-se lá diabo pq Oo eu só tenho uma especial de ano novo e alguns brindes que sobreviveram aos anos, mas era ótimo e até o conteúdo que apresentava fora a HQ era legal. Atualmente tem gente querendo que a panini lance encadernados da revista, mas se ela não terminou na Ítalia, não tem motivos pra isso né? Podia ser legal :c mesmo tendo meus 25 anos, WITCH foi a HQ que mais me interessou nessa vida :/ teu post foi bem esclarecedor pra mim e como de costume a tradução tinha que ser bosta…aiai, só reparei isso relendo online os primeiros volumes -.- mas vamos ver né, vai que sai mesmo? Eu compraria porque é uma história bem bolada!

    • hahaha pois é! e pensar que um texto meu ficaria numa posição tão boa no google xD

      esse lance da panini tô totalmente por fora! só fiquei sabendo do relançamento na itália que começou bem recentemente, mas por aqui, bem, me parece meio improvável mesmo.

      fico contente que meu texto tenha sido útil pra ti ❤

      • Pois é ta rolando esse abaixo assinado, mas eu não sabia do relançamento…de qualquer forma, deixar nas mãos da abril seria suicidio quadrinistico (?).

        Eu até vi que tem edições só com a HQ, 2 em 1 até e então até seria viável encadernação, mas tem que ter fim e tem que ter muita demanda, porque a panini só se interessa pelo que é mainstream né XD eu que fico feliz de ver gente escrevendo sobre witch e da tua resposta também!

  8. Ah cara, n sei se é bem assim. Infelizmente n tive o prazer de conhecer as revistas e entendo a chateação da qualidade delas diminuírem. Mas a animação eu gostei pra caramba!! Na época eu tinha uns 12, 13 anos e sempre assistia quando voltava da escola. A dublagem é boa sim e o roteiro também é agradável, principalmente quando se é criança. Essa coisa mistica e mágica sempre conquista a gente. Esses dias voltei a assistir e vejo q a animação continua interessante. Talvez por que adoro desenhos até hoje…

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