Sobre a representação feminina nos jogos

De todos os fanarts e adaptações que eu já vi com os personagens do Team Fortress 2, esse definitivamente é o mais coerente para o jogo.

UPDATE: Fiz uma compilação mais detalhada e com mais exemplos no post pro Ativismo de Sofá há um tempo. Vão lá ver.

Como vocês que acompanham o brógue puderam ver, ultimamente eu tenho conhecido textos muito interessantes que analisam e criticam a maneira que as mulheres são apresentadas nos jogos na maioria absoluta das vezes, além dos efeitos que podem causar na vida real. Se em outras mídias as mulheres já são erotizadas, nos jogos isso não seria diferente.

Vou começar o texto feito Capitão Óbvio: As personagens das histórias não existem. Elas simplesmente refletem seus criadores, predominantemente formados por homens, como fruto de suas idealizações e público-alvo específico. Consequentemente, não dá pra aplicar os mesmos argumentos com garotas reais que têm livre-arbítrio. Isso não seria um problema em si, se as personagens não nos influenciassem tanto. Digo isso porque, após ver o mesmo padrão inúmeras vezes, você acaba se convencendo dele, estando ou não ciente disso. Dessa forma, as mulheres nos jogos só podem ser apreciadas (que não é bem a mesma coisa ser “levadas à sério”) sendo surrealmente magras, altas, brancas, peitudas, ocidentalizadas e com mais da metade do corpo exposto, descontextualizando totalmente a situação. Quer um exemplo? Pense na maioria das armaduras feita para mulheres, e veja o quanto elas são eficientes para protegê-las de ataques nos RPG’s e MMO’s da vida.

A grosso modo, essas características numa personagem não seriam um problema em si, até o momento em que tal modelo torna-se uma exigência sob o estereótipo da beleza.

É claro que, com o público feminino aumentando substancialmente nos últimos anos e com vários gêneros e estilos novos de jogos surgindo, seja a partir de estúdios consagrados ou de desenvolvedores independentes, percebe-se que as mulheres dos jogos estão recebendo, ainda que numa fração muito pequena, um tratamento mais digno e mais interessante para quem se importa com a questão (e se você acredita em infográficos do 9gag, um em específico que fala dos benefícios dos jogos afirma que 44% dos jogadores nos EUA são mulheres). Cito alguns exemplos de garotas que eu pude conhecer e lembrei agora:

Zoey e Rochelle do Left4Dead

Bora matar uns zumbis gallere!

Apesar de eu ter me tornado muito fã de L4D, pra mim não é muito fácil conhecer profundamente os personagens só pelos diálogos durante o jogo que nem sempre dá pra prestar atenção, então estou me baseando no que pude pesquisar. Zoey é uma adolescente vinda de uma família rica. Rochelle, introduzida a partir do L4D2, é uma repórter de uma rede de televisão local. Além da anatomia das duas ser facilmente encontrada em pessoas comuns, temos o bônus de Rochelle ser negra, assim como Louis, um empresário. Além disso, percebi por experiência própria que não há diferenças de jogabilidade entre eles.

Chell do Portal

Comparando a Chell entre Portal 1 e 2, depois de algumas plásticas e potes de creme de rejuvenescimento

Não sei se a sensível mudança da aparência de Chell foi a pedidos dos fãs ou decisão da Valve. Com sorte encontrarei alguma informação no ebook The Final Hours of Portal 2. Mas apesar disso, Chell também não chega a sofrer erotização (que, convenhamos, não teria sentido pra um jogo FPS, além de outras razões óbvias).

Jade do Beyond Good and Evil

Tem um visual bacana, detona alienígenas corpo-a-corpo, super ágil nos movimentos… o que mais você podia querer?

Já dei alguns detalhes sobre o jogo e o quanto gostei dele, então ela definitivamente não podia ficar de fora.

Agora um pequeno desabafo: é muito frustrante você ver pessoas, especialmente entre as próprias mulheres, que já jogaram uma variedade de títulos suficientes para perceber essa discrepância de tratamento entre personagens masculinos e femininos e mesmo assim achá-la perfeitamente aceitável ou, na pior das hipóteses, pegar “casos isolados”, tipo o Dante de Devil May Cry (pelo simples fato do sujeito aparecer sem camisa, obviamente motivo suficiente pra pipocar mods que o deixam pelado e fazendo sexo com outro personagem) para fins comparativos. Porque afinal, olha como os homens sofrem de sexismo na mesma proporção, tadinhos! Estamos todos no mesmo barco, pra que reclamar só pelas mulheres, né verdade minha gente?

Agora falando sério, isso não é só uma puta babaquice extrema, como também é uma forma de se cegar totalmente diante da desigualdade de gênero óbvia nos jogos.

Por último, para complementar o assunto das armaduras, temos o texto Fantasy Armor and Lady Bits, do qual me interessei e pretendo trazê-lo pra cá traduzido quando puder.

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2 comentários sobre “Sobre a representação feminina nos jogos

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