Nerds e o privilégio masculino

Pois é.

Naquele mesmo post que eu falei sobre a Faith de Mirror’s Edge, em que eu mencionei o guest-post sobre mulheres nos games, no final do texto havia o link deste post do Kotaku Austrália e me interessei em traduzi-lo e publicá-lo aqui exatamente como está lá. Os grifos que aparecerem são de minha autoria. Caso queira ler o texto original e comparar com a tradução, fique à vontade para apontar erros. Gírias sempre me confundem. O texto é grande, tenham paciência.

Quero lhe contar uma história.

Alguns anos atrás, eu estava namorando uma garota que decididamente não era uma nerd curiosa. Ela tolerava meus interesses geeks com um certo ar confuso, mas definitivamente não participava deles… nem mesmo entrava numa loja de HQ’s no dia que lançava um quadrinho novo. Ela esperava no lado de fora até eu terminar… que poderia levar um tempo, já que eu era amigo de vários dos funcionários.

Ela veio à loja exatamente uma vez, depois de eu ter explicado que é um lugar muito simpático… bem iluminado, espaçoso, organizado e com úteis — e claramente identificados — funcionários que estavam dispostos a fazer o possível para se certificarem que seus clientes estavam satisfeitos.

Ela estava lá e não tinha nem 4 minutos quando um troglodita que respirava pela boca começou a olhar alternadamente nos peitos dela — obviamente esperando que uma visão de raio-x poderia se desenvolver espontaneamente — e a censurando por se atrever a comentar sobre o caráter econômico das roupas — neste caso, de Lady Death e Wichblade. Ela fugiu do local, para nunca mais voltar.

Quando eu e o gerente explicamos a ele em termos incertos sobre o que ele fez de errado, ele encolheu os ombros. “Hey, eu só estava tentando ajudar vocês! Ela não conseguia entender que garotas podem ser fortes e sexy! Não é minha culpa que ela é uma chauvinista”, ele disse.

E foi aí que eu atirei nele, meritíssimo.

Assim, como esse exemplo em mente, vamos falar sobre um assunto que já abordei antes: o privilégio masculino e como isso se aplica a geeks e — mais importante — a garotas geeks.

PRIVILÉGIO MASCULINO: O QUE É EXATAMENTE?
Eu não acho que estou dando nenhuma novidade ou surpreendendo alguém quando aponto que a cultura nerd, como um todo, é predominantemente masculina. Não que as mulheres não estejam fazendo um avanço enorme na ficção científica/fantasia fandom, jogos, animes e quadrinhos… mas ainda é uma cultura muito masculina. Como tal, serve para o público predominante masculino que o compõe. Este, por sua vez, leva o fenômeno conhecido como privilégio masculino: a ideia de que os homens — na maioria das vezes héteros e brancos — como um todo, obtém privilégios e status por causa do seu gênero.

(Retratação óbvia: Eu sou um homem branco hétero.)

Na cultura geek, isso se manifesta em várias maneiras. A mais óbvia está na interpretação das personagens femininas nos quadrinhos, videogames e filmes. Batman: Arkham City oferece um excelente exemplo.

Aqui temos o inquietante vigilante, o psicopata fã de ICP e O Doutor

Então temos três personagens femininas:

Aqui temos a dominatrix, a prostituta louca e a Garota Fanservice Exótica…

Percebe as diferenças na forma que eles são retratados e fantasiados? Os homens estão completamente vestidos e sérios. Eles estão claramente definidos: o poderoso herói, os vilões sinistros.

As mulheres são tudo sobre sexo, sexo, sexo, sexy na maioria das vezes. Talvez com um pouco de vilania para dar sabor. Elas podem ser personagens, mas também são objetos sexuais para serem consumidas.

Farei uma pausa agora para os tradicionais argumentos dos meus leitores: essas personagens são todas femme fatales nos quadrinhos, todos os personagens dos jogos de Arkham estão no topo, os homens são tão exagerados/sexualizados/objetificados quanto as mulheres. Tem tudo isso fora dos seus sistemas? Bom.

Porque essa reação é exatamente do que estou falando.

Você sabe, uma das questões do privilégio do sexo masculino que se aplica ao fandom é a reação instintiva de defesa para qualquer crítica que talvez, e apenas talvez, seja uma merda pouco fodida. Ninguém quer reconhecer que uma interpretação unilateral (e unidimensional) das mulheres é o paradigma dominante no jogo; a grande maioria das personagens femininas são objetos sexuais. Se uma garota quer se ver representada em videogames, é melhor ela se acostumar com a ideia de ser na parte inferior da caixa de cereal. Se ela quer se ver como uma personagem principal, então é hora de se preparar para um desfile de roupas de algodão doce onde o mamilo escorrega está somente impedido por violar as leis da física. O número de jogos com protagonistas feministas que usam mais do que os “anjos da Victoria’s Secret” são escassos e distantes entre si.

A ideia de que talvez a maneira que as mulheres são retratadas no fandom seja um pouco sexista reuniu-se regularmente com negações, justificativas e a rejeição pura e simples da questão. Tão regularmente, de fato, que há um cartão de bingo com as respostas mais comuns. Parte da noção do privilégio masculino no fandom é que nada está errado com o fandom e que as sugestões que poderiam beneficiar alguma diversidade são tratadas como ameaça.

Mas qual exatamente é essa ameaça?

Neste caso, a ameaça é que — finalmente — o fandom não vai atender caras quase à exclusão… esses gays, lésbicas, minorias raciais e religiosas e (gasp!) as mulheres podem começar a ter uma coisa a dizer na forma em que os jogos, quadrinhos e etc serão criados no futuro. A falácia do espantalho que é regularmente apregoada — que homens também são objetificados, que é uma convenção de gênero, que na realidade as mulheres têm mais privilégios que os homens — é uma distração da verdadeira questão: que o Privilegiado está preocupado que eles não serão tão privilegiados num futuro próximo caso esta ameaça não seja combatida.

Por mais que meus irmãos nerds gostariam que mais garotas fossem da persuasão geek, é um pouco compreensível que as mulheres possam ser um pouco reticentes. É difícil se sentir valorizado ou totalmente incluído quando um grupo muito vocal insiste que sua entrada é irrelevante, errada e, finalmente, indesejável. É uma pequena maravilha porque o geekdom — para todos que se auto proclamavam atitudes esclarecidas para os forasteiros e párias — ainda conserva o cheiro do vestiário dos caras.

COMO OS PRIVILÉGIOS MASCULINOS AFETAM GAROTAS GEEKS NA VIDA REAL
Não cometa o erro de achar que o privilégio masculino é apenas sobre o quão grandes são os peitos das Power Girls, do fanservice e a física de sacudidas em lutadoras em 3D. Ele afeta garotas geeks direto, também de maneiras pessoais.
Lembra do exemplo que eu mencionei anteriormente com minha namorada até então na loja de HQ’s? As opiniões dela foram consideradas como erradas e foi dito que ela não podia “entender”… porque ela era uma garota.

Você sabe, uma dos problemas que garotas nerds encaram é o fato de que elas são vistas primeiro como garotas e segundo como qualquer outra coisa. E antes de você floodar minha seção de comentários exigindo saber por que isso é uma coisa ruim, perceba que ser vista primeiro como uma “garota” define toda a interação que elas têm dentro da fandom. Elas são tratadas de forma diferente porque são mulheres.

“Posso upar o nível de seu ladino para você? Está procurando por DVD’s de Jem? Deixe-me mostra-lhe a seção de anime… espere, volte aqui…”

Agora faremos outra pausa para as respostas esperadas: bem que é uma coisa boa, não é? Garotas recebem tratamento especial por serem garotas, rapazes se esforçarão para as garotas gostarem deles de modo que tudo se equilibre.

Se você está prestando atenção vai perceber que — novamente — são essas as reações que estou falando.

Você sabe, ninguém está dizendo que as mulheres não recebem tratamento diferente dos homens… Estou dizendo que ser tratado de forma diferente é que é o problema. E sim, sei exatamente o que muitos de vocês vão dizer e eu vou chegar a isso em um minuto.

O privilégio masculino — de novo — é sobre o que os homens podem esperar como a configuração padrão da sociedade. Um homem não terá tudo sobre ele filtrado através do prisma de seu gênero em primeiro lugar. Um homem, por exemplo, que consegue um emprego não vai encarar com sugestões de que seu poder de atração ou sua disposição de realizar favores sexuais foi um fator ao ser contratado, e nem será minimizado como “cota de contratação”. Não é esperado de um homem para ser representante de seu sexo em todas as coisas; se ele falhar em um emprego, não vai ser extrapolado que todos os homens são incapazes para o emprego. Um homem que é obstinado e agressivo não será desprezado por isso, nem os homens socializados por “concordar para se dar bem”. Um homem pode esperar para ter sua opinião considerada, sem ser demitido na hora por causa do seu sexo. Quando combinado com uma mulher que está com atribuições iguais, o homem pode esperar que a maior parte do mundo irá presumir que ele é o único responsável. E criticamente, um homem não tem que continuamente ver o mundo através das lentes da potencial violência e abuso sexual.

Agora, com isso em mente, considere o porquê de ser uma garota inicialmente possa ser um obstáculo para garotas geeks. Um cara que joga FPS — Call of Duty, Halo, Battlefield, o que tiver — online pode-se esperar uma certa quantidade de porcaria que falam, mas ele não vai ser inundado com ofertas de sexo, ameaças de estupro, sons de masturbação simulada ou pedidos para ele explodir outros jogadores — mas não antes de ir para a cozinha e trazê-los uma cerveja/sanduíche/pizza primeiro. Aos homens também não será dito que eles estão sendo “muitos sensíveis” ou que “eles precisam endurecer” quando eles reclamam por dizer ameaças sexuais.

“Aposto que você está prestando atenção ao que eu tenho a dizer agora!”

Os homens também não terão suas opiniões pesadas ou rejeitadas somente com base do quão sexy ou atraentes são. As respostas mais comuns que uma mulher pode esperar em um argumento — especialmente online — é que ela é gorda, feia, solteira, invejosa, puta ou lésbica — ou qualquer combinação dos termos — e, portanto, sua opinião é irrelevante, independentemente dos seus reais méritos. Isso é especialmente verdadeiro se ela está comentando sobre a representação das personagens femininas, seja em quadrinhos, videogames ou filmes.

Homens podem esperar que sua presença em um evento não será automaticamente assumida como decorativa ou secundária a outro homem. Apesar da crescente presença das mulheres nos quadrinhos, como publishers, editoras e criadoras, bem como consumidoras, um predomínio de homens tratam as mulheres tanto nas convenções como inconvenientes, “coelhinhas de estande” ou mesmo potenciais namoradas.

Muitas criadoras ou publishers já passaram pela experiência de convidados de convenções chegarem e passarem todas as perguntas para os homens da mesa… apesar de dizerem várias vezes que o homem é geralmente o assistente, não o talento, e só está lá para dar apoio logístico e ocasionais trabalhos pesados.

Os homens também não são atribuídos automaticamente em um nicho específico simplesmente por causa do seu gênero. Uma garota numa loja de HQ’s ou de videogames muito provavelmente será descartada como namorada/irmã/prima de outro cliente do que ser alguém que possa estar realmente interessada em comprar algo pra si mesma. E quando elas são vistas como clientes, são automaticamente associadas com frequência em comprar uma das propriedades designadas “para garotas”… independentemente delas estarem lendo Ultimate Homem-Aranha ou procurando por uma cópia de Saint’s Row 3.

Claro, o outro lado da moeda não é muito melhor; ser rejeitada pelo pecado de ser mulher é ruim, mas ser colocada no pilar tradicional não é menos ofensivo. Caras que se humilham para cortejar garotas geeks e fazem tudo o que elas querem é igualmente ruim. O comportamento é diferente, mas a mensagem é a mesma: ela é diferente porque é uma garota. Esses candidatos a cavaleiros brancos, em última análise, a trata como um objeto de fetiche, e não como uma pessoa. É especialmente notável quando se trata de cosplayers sexy; os caras vão a laude por serem garotas geeks e as celebram pessoalmente e online. Dão muita atenção sobre elas, tiram fotos e as tratam como rainhas…

E ao fazerem isso, eles estão enviando a mensagem de que as mulheres só são valorizadas na cultura geek caso elas estejam dispostas a ser um produto extremamente atraente. Todo mundo ama Olivia Munn quando ela entra na sala com o traseiro primeiro, vestida como Aeon Flux, mas ninguém está particularmente preocupado com garotas vestidas com uma bola de beisebol, jeans e sapatilhas. Uma é bem-vinda na cultura geek de braços abertos, a outra tem que justificar sua existência em primeiro lugar.

O QUE TUDO ISSO SIGNIFICA PRA VOCÊ?
A razão pelo qual o privilégio masculino é tão insidioso é por causa da insistência de que ela não existe acima de tudo. Que a ignorância voluntária é fundamental para mantê-lo no lugar; fingindo que o problema não existe, é muito mais fácil garantir que nada mudará.

A sociedade geek se orgulha de ser explicitamente contra-cultura; nerds vão se vangloriar sobre como, enquanto sociedade, que são melhores do que os outros que forem exclui-los. Eles insistem que são mais igualitários; geeks mantém firme a crença de que a cultura geek é uma meritocracia, onde conceitos como “agismo” (discriminação pela idade), sexismo e racismo simplesmente não existem da mesma maneira que em outros lugares. Ainda assim, até mesmo um exame superficial demonstrará que isso não é verdade.

Geeks ainda se apegam a essa ilusão ao mesmo tempo que recusam-se a resolver as questões que o tornam tão atraente para mulheres e minorias. Eles vão insistir que tratam as mulheres exatamente do mesmo jeito que tratam os homens — ignorando o tempo todo de que seu comportamento é o que está deixando as mulheres desconfortáveis e com uma sensação indesejável em primeiro lugar. Eles vão encontrar uma garota em sua comunidade que imediatamente dirão que ela não está ofendida e a usa como “prova” que a mais ninguém é permitido ser ofendido.

Mudar essa atitude dominante começa com o indivíduo. Chame isso como parte do aprendizado para ser uma pessoa melhor; estar disposto a examinar suas próprias atitudes e comportamentos e ser implacavelmente honesto sobre os benefícios que você tem por ser um homem branco no fandom é o primeiro passo. Lavar as mãos e fingir que não é problema seu é parte de uma atitude que faz as mulheres não se sentirem bem-vindas no fandom e serve como uma barreira às atividades geeks que elas poderiam desfrutar.

Botar os holofotes sobre o conceito de privilégio masculino, da mesma forma que existe na cultura nerd, é o primeiro passo para torná-lo acolhedor da diversidade, especialmente mulheres.

Será que eu simplifiquei um problema no que diz respeito ao privilégio masculino? Eu perdi algum aspecto do privilégio masculino na cultura geek que você acha que precisa ser destacado? Diga nos comentários.

Bom galera, é isso. Demorei pra traduzir tudo, tem alguns erros, acredito que não tenha muito o que complementar e espero que isso tenha sido útil para abrir um pouco a cabeça de vocês. No exterior, acredito que a questão de desigualdade seja bastante óbvia, enquanto aqui, tenho a sensação que o preconceito só está mais velado. Por experiência própria, já senti essa desigualdade na pele, mas especificamente em MMORPG, e nem sempre é fácil perceber certas sutilezas.

Update: Agradecimentos especiais à @CelticBotan, @fadamariposa e @amora_b pelas correções e esclarecimentos!

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40 comentários sobre “Nerds e o privilégio masculino

  1. Adorei o texto – e essa questão do machismo no meio geek sempre me irritou muito. Porque, de certa forma, acho que eu esperava que no meio geek deveria haver tipo uma “irmandade” entre todo mundo que faz parte dele, já q são pessoas q costumam ser meio excluidos sociais uhauha (ou pelo menos costumavam ser, hoje em dia é moda ne. =x) e que isso incluiria mulheres como iguais, vistas e tratadas com maturidade. Mas acaba sendo uma versão concentrada do machismo de todo o resto, versão geek. Desde a própria estética das mulheres em quadrinhos, jogos e mangás, até o próprio comportamento dos geeks em relação a mulheres, o sempre desespero em conseguir arrumar uma namorada ao mesmo tempo em q as objetifica e as cobre de fetiches nerds, estudando “métodos de sedução”, sempre como se a mulher fosse apenas um objeto de estudo, uma fase de jogo a ser conquistada através do desenvolvimento de skills específicos, como se fosse tudo assim, mecânico, só se precisasse descobrir o cheat code (olha eu falando nerdês UHAUHA mas é bem assim, acho q é o modo geek de raciocinar). De fato, desprovendo as mulheres de humanidade.

    • (antes de tudo, curti os chifrinhos do avatar xD)

      E sim, ser nerd virou modinha atualmente. Tem quem negue, mas não é preciso pensar muito para notar isso, tem gente que acha que ser nerd é tão cool que elas meio que participam dele “à força”. E aliás, uma coisa que eu detesto nesse meio é povo xiita que, se você não endeusar uma determinada obra apreciada por todo mundo, você não é nerd (que é o que acontece se você tiver a audácia de confessar não curtir Star Wars).

      Talvez o universo nerd/geek fosse um pouco mais aberto no começo por causa dessa rejeição, agora que ficou “modernizado”, esses estereótipos só foram copiados à exaustão, infelizmente. E bem, esses métodos de sedução existem em qualquer lugar, vide Testosterona e Casal sem vergonha da vida =p só mudam os nomes…

      UHEUEHEUH adorei você falar nerdês, de certa forma o raciocínio de quem é nerd/geek é por aí xDDD

      • Ah sim!! Antes as garotas eram tipo, excluidas do meio geek, e era impensável q uma garota “bonita” (dentro dos padrões) fizesse parte (geralmente só se imaginava garotas estereotipicamente gordas/feias/espinhentas e logicamente elas seriam humilhadas de qualquer jeito). Agora geek é o novo sexy. Surgem aquelas fotos de garotas tipo, jogando videogame de calcinha, fingindo q lambe um controlador, ou todo tipo de “garotas geek sexys” q representam oooh agora geeks podem ter namoradas “bonitas” tbm!!, e tem uns caras q ainda chegam a extremos do tipo “nossa, a namorada ideal é uma q me chupasse enquanto eu jogo videogame” ou “uma que jogue videogame comigo enqto fazemos sexo!!” (??) etc

        Esses métodos de sedução existem em qualquer lugar mesmo… oq muda é o público hahaha, e por isso, a forma como o método é visto. Os métodos de sedução direcionados para nerds conquistarem garotas tem abordagens diferentes dos métodos apresentados por edu testosterona etc hahaha

        (eu nem sei como q esse avatar vem parar aqui, onde q ele tá cadastrado haha XD)

        • aah sim, eu também já vi essas imagens de gurias lambendo joystick e afins aos montes =p além de outros clichês seguindo essa linha de jogar enquanto faz sexo e etc

          então, no meu caso o meu avatar aparece assim porque me cadastrei no Gravatar, você fez o mesmo, não foi?

    • HAHAHAHA Carol, eu li tudo isso q vc escreveu e confesso que um conhecido em comum veio a mente imediatamente, principalmente na parte de “métodos de sedução”, rsrsrs

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  4. Achei muito interessante este texto.
    Eu gostei porque apesar dele tratar especificamente o caso das garotas nerds, também pode ser expandido para outras minorias.
    Sei lá, parece que algumas pessoas (isso vale para ambos os sexos, raça, credo, idade etc…) adoram fazer parte de “clubes fechados” (tribos/grupos) e se acham no direito de humilhar, ou explorar as minorias para se sentirem superiores.
    Infelizmente estes são resquicios de tempos antigos que provavelmente levarão uma centena de séculos para desaparecer.
    Mas para a sorte das mulheres, apenas uma parte dos homens ainda age como neandertais da idade da pedra. O que acontece na maioria das vezes é que em lugares onde existe uma concentração maior de homens, a probabilidade de encontrar pessoas com esse tipo de comportamento aumenta.

    • Bem, o preconceito existe na sociedade como um todo, então o fato dele também estar fortemente presente no mundo geek é puramente uma consequência, e como eu me interesso pelo assunto, preferi usar um texto que focasse para esse lado. Mas como você disse, também é válido para outras minorias.

      Agora, dizer que isso vai levar centenas de anos pra desaparecer, eu não consigo ter uma visão tão pessimista assim. Numa era de informação e protestos, acredito que o processo para desconstrução e conscientização social do problema possa acontecer mais rapidamente em comparação com a época medieval, por exemplo.

      “apenas uma parte dos homens ainda age como neandertais da idade da pedra”? Ah, se fosse tão simples assim…

      • Você acertou em cheio, sou extremamente pessimista. xD
        Mesmo com toda a grande evolução tecnólogica e divulgação das ultimas décadas, ainda somos incapazes de modificar “instantaneamente” ( sei que estou exagerando de novo… xD) a mente e a “cultura” enraizada na vida de bilhões de pessoas. Tudo isso leva tempo, coisa de gerações. E levando em consideração que a espectativa de vida está aumentando, talvez minhas previsões não sejam tão absurdas.
        Os protestos são excelentes meios de concientização e ajudam a agilizar os procedimentos legais, mas não impedem que os infratores continuem agindo. Ajuda, mas não resolve o problema…

        PS:”Ah, se fosse tão simples assim…”
        Parece que você também não é tão otimista assim… xD
        Seja bem vinda ao “clube”.

        • Está exagerando sim =p não adianta ser tão apressadinho.

          Ué, é óbvio que gente imbecil continuará existindo. A questão aqui é aumentar o número de pessoas que parem pra refletir de modo com que as desigualdades diminuam. Não dá pra mudar todo mundo, seu doido =p

  5. Nossa… esse texto me deu até vontade de chorar, sério mesmo, porque é tudo verdade. Eu não tinha parado ainda pra pensar no quão profunda é a questão! E agora me deu um nojo intenso disso tudo, e uma vontade enorme de, quando jogar online, fingir que sou homem, por mais estúpido que isso possa parecer. É tudo verdade, mesmo. Uma triste verdade, na qual os próprios propagadores, os homens que fazem parte desse meio e agem assim, fazem questão de continuar a agir dessa forma, porque teoricamente tem algo de errado CONOSCO, e não COM ELES.
    Que nojo, cara.

    • Pra você ver. Às vezes nos acostumamos tanto com um problema que não percebemos as nuances. E agora que você mencionou, eu já fingi ser homem; ou melhor, estou fingindo ainda, no atual MMORPG que estou jogando. Mas tem hora que tenho uma puta vontade de sair do meu grupo, pois os comentários homofóbicos que o povo faz me incomodam profundamente.

      (opa, fiquei meio redundante no comentário e só notei depois, sorry)

  6. Tais, valeu por ter compartilhado o link desse artigo no blog! =)

    Tenho procurado expandir meus horizontes nesse sentido, lendo artigos sob vários pontos de vista. E esse texto foi bem esclarecedor. ^^

  7. Pingback: Dos valentões aos heróis: Homofobia nos jogos – Parte 1 « Colchões do Pântano

  8. Olá Tais! (desculpa o comment meio longo, mas o assunto também me interessa.)

    Não li o original, mas acredito que pela forma como foi traduzido, muitos entenderam a mensagem, e sim, o texto chacoalha muito as bases de muita gente, eu concordo com tudo o que foi escrito, e confesso já ter passado por todos os lados, desde réu a vítima.

    Bom, pra começar a conversa não sou sexista. Não gosto de machistas, mas também não gosto de feministas (desculpa! hehehe). Eu acho que em uma sociedade igualitária (e utópica pelos padrões atuais) não devem haver categorias que diferenciem um do outro. Estava conversando com minha esposa esses dias, e percebi que certas coisas são tão arraigadas no nosso inconsciente, que demora pra percebermos, e o cerne da conversa foi: “porque temos banheiro masculino e feminino em ambientes de livre circulação de pessoas?” A princípio, pensar em usar um banheiro comum a homens e mulheres num shopping, por exemplo, causa um certo desconforto, mas mostra que a muito dizemos (e concordamos) que homens e mulheres dever ser separados, tratados como coisas diferentes, e em algumas instâncias, um superior a outro. Nas placas de banheiro, o símbolo do Homem é o boneco comum, o da mulher é um boneco comum com saia, ou seja, um “homem disfarçado”, mas ainda um homem. Refletindo sobre isso, acho que o “Privilégio Masculino” só vai deixar de existir, quando deixarmos de separar, e unirmos criando o “Privilégio da Existência”. Não importa quem é quem, basta existir.

    E por falar em MMORPG, tb jogo um, Jade Dynasty, da Perfect World. O pináculo da cultura nerd machista. Gráficos bem definidos, preocupação com a realidade (tanto que você pode ver a calcinha das personagens femininas girando a câmera), personagens altamente fetichistas (coisa de oriental). Tenho vários “chars” lá, Masc e Fem, e já levei cantadas de outros caras quando estava num char fem. 1 vez é engraçado, depois eu falei que era homem, e ai não tardou gente me chamando de gay. As vezes tem caras que querem me pegar no colo (sim, isso é possível no jogo, só masc carregam fems), e ainda tem caras que jogam com fems só pra ver suas musas hi-lvl em roupas mínimas (tem um guild-mate egípcio, que disse que se pudesse, deixaria a char dele nua). O jogo é global, isso é uma questão que afeta o mundo inteiro. Mas ainda assim é o jogo com maior concentração feminina que eu conheço, algumas com mais de 40 anos, mães de 2 ou 3 filhos.

    Mas a recíproca também é verdadeira. Algumas mulheres/garotas querem ser vistas, querem ser idolatradas, querem ser o alvo das atenções, querem ser os símbolos sexuais do mundo nerd. No Festival do Japão de 2010, ocorreu uma etapa do World Cosplay Summit onde não haviam 1 mas 2 garotas fantaziadas de “vaquinha”, inspiradas em um “não lembro qual o jogo” de “não lembro qual o console”. A diferença do cosplay para um biquini, era o rabo as orelinhas e as polainas. Bem, eu bati várias fotos! 😀

    • “Bom, pra começar a conversa não sou sexista. Não gosto de machistas, mas também não gosto de feministas”: WTF MAN! Já começou errado. Exatamente o que você entende por machismo e feminismo? Uma coisa não é oposta de outra, como se sugere por causa dos nomes. Tem até um nome específico pra esse tipo de confusão (a mais próxima é “falsa equivalência”), mas me fugiu a palavra agora… (outra coisa, quando alguém pensa não ter algum tipo de preconceito, normalmente o tem. eu reconheço ser preconceituosa em determinados momentos, ainda que bem menos após entrar no feminismo. tem até um tumblr muito foda que ilustra bem isso: http://naotenhopreconceito.tumblr.com/)

      “porque temos banheiro masculino e feminino em ambientes de livre circulação de pessoas?”: interessante que isso foi justamente um dos debates que acompanhei por cima, mas não exatamente por esse motivo. É claro que o conceito binário de masculino e feminino é bastante retrógrado (já que temos os transsexuais e fica difícil pra eles neste aspecto do banheiro), mas por que você acha que isso tem a ver com superioridade? Nesse caso em específico, eu penso que é necessário a separação porque isso evitaria verdadeiros assédios, sem falar que é muito comum os banheiros públicos masculinos serem infinitamente mais sujos que os femininos. E bem, muitas mulheres costumam usar os espelhos pra se maquiarem e ajeitar a roupa, isso quando não é pra trocar absorvente, então já pensou que inferno e constrangimento que seria se fôssemos misturados?

      “Nas placas de banheiro, o símbolo do Homem é o boneco comum, o da mulher é um boneco comum com saia, ou seja, um “homem disfarçado”, mas ainda um homem”: hã, não entendi essa lógica de homem disfarçado que ainda é um homem. Essa associação (ocidental) só existe por saia ser considerada exclusivamente feminino.

      “e ainda tem caras que jogam com fems só pra ver suas musas hi-lvl em roupas mínimas”: não duvido. no grupo que jogo no LOTRO, tem um cara que já reclamou algumas vezes pela char dele não ter peitão =_=’ esse jogo que você citou eu nunca ouvi falar mesmo. Agora, sobre essa questão fetichista, dos poucos MMO’s que conheço, só sei da origem (coreana) de um. Pode ser que exista uma maior tendência em haver personagens femininas com o mínimo de roupa possível, mesmo quando é armadura, em jogos orientais, mas precisaria pesquisar…

      “Algumas mulheres/garotas querem ser vistas, querem ser idolatradas, querem ser o alvo das atenções, querem ser os símbolos sexuais do mundo nerd”: é, e o texto explica direitinho o porquê. Se temos homens que pagam pau por chars femininas nos jogos dando itens raros de bandeja ou fazem de tudo pra que elas se apaixonem por eles, já é um dos tantos sintomas pra que mulheres apareçam exatamente nessa cultura porque sabem que haverá quem dará atenção e idolatragem na mesma proporção. Ou o contrário, também citado no texto, do desprezo total exclusivamente por ser mulher.

      • “Exatamente o que você entende por machismo e feminismo?” Basicamente, nada. Mas não gosto do discurso, do preto e do branco, do certo contra o errado, do “homem vs mulher”, que é o que mais vejo. Não disse que não sou preconceituoso, alias, eu tenho vários preconceitos e tento lidar com eles da forma mais humanitária possível.

        “então já pensou que inferno e constrangimento que seria se fôssemos misturados?”. Já, já pensei! Mas o argumento é que isso só se faz um inferno, porque fomos condicionados a pensar assim.

        “Pode ser que exista uma maior tendência em haver personagens femininas com o mínimo de roupa possível, mesmo quando é armadura, em jogos orientais, mas precisaria pesquisar…”. Orientais nerds desesperados são fetichistas, você vai ver. Mas a coisa vai mais além, e não precisa ir tão longe. O RPG no brasil também segue a mesma linha…

        Não estou aqui querendo pregar a moral e os bons costumes, mas acho esse apelo sexual no mundo nerd completamente desnecessário. A questão é que isso faz parte de uma teia maior, gera um ciclo vicioso e difícil de ser contido. Voltando ao cerne do texto, a heroína peituda ou a vilã prost (ou qualquer mix) existe para satisfazer um público masculino, mas as mulheres compram, algumas não só o material, mas também a idéia. Pura e simplesmente porque é uma questão de mercado, ou muitas vezes para se ver aceit@. Anos atraz a Marvel estipulou cotas de personagens representando minorias (o exemplo que eu lembro foi na X-Factor de 2003 se não me engano) e foi um fracasso total. Os Gays odiaram as cotas ou serem considerados minorias, os Heteros odiaram os personagens gays e o fato de haver cotas para negros, e os negros não gostaram dos gays, não gostaram das cotas, não gostaram de que o lider do grupo era sempre um branco… e por ai vai. Ou seja, se fugir do padrão não vende, se não vender ninguém faz, se ninguém fizer fica difícil explicar que poderia ser de um outro jeito.

        Se você tiver a oportunidade, procure para assistir “The Twelve Kingdons”. Um anime que fala sobre uma garota padrão da sociedade Japonesa que foi para um outro mundo e acabou se tornando rainha. Sem fan-service, sem fetiches, sem sucesso nenhum, falando de como as coisas podem ser diferentes.

        • “Basicamente, nada”: Precisa dizer mais? Sua definição de machismo e feminismo está COMPLETAMENTE distorcida. Lembra quando eu falei que uma coisa não é oposta à outra como o nome sugere?

          Explicando a (muito) grosso modo, funciona o seguinte: o MACHISMO visa garantir mais privilégios para aquele homem branco, hétero e cristão. Ou seja, além do machismo e sexismo, machistas também puxam outros preconceitos como o racismo, homofobia, especismo, ateofobia e gordofobia. Inclusive, desconsiderando o preconceito mais velado que se encontra em qualquer lugar, temos os machistas mais extremos e explícitos que promovem fóruns e blogs de ódio demonstrando todo seu desprezo com minorias sociais.

          Já o feminismo visa LUTAR contra tudo isso. O propósito não é apenas garantir direitos iguais em todas as áreas sociais, políticas e financeiras para homens e mulheres (correspondemos cerca de metade da população mundial, afinal, e mesmo assim existem extremas desigualdades) como também em diminuir toda a discriminação e violência contra negros e gays/bis/trans. Se você der uma olhada na categoria “Feminismo” no blog, vai ver que já tenho textos sobre discriminação gay nos jogos, por exemplo.

          Além disso, algumas características do machismo também prejudica homens, como por exemplo: a licença paternidade com um tempo risível de tão mínimo que é, a exigência de inibir o choro, padronizar comportamentos considerados “O MACHO ALFA” (de longe uma das maiores escrotices já feitas pelos mascus) e por aí vai. Além do que, existem HOMENS feministas, ainda que numa quantidade menor, e que muitas vezes fazem reflexões excelentes sobre problemas envolvendo preconceito.

          Em suma, por favor, PESQUISE O QUE É FEMINISMO antes de mais nada. Não existe essa porra de homem vs mulher, faz parte do preconceito de quem tem uma visão distorcida do movimento. Alguns blogs que conheço que podem ajudar:

          http://escrevalolaescreva.blogspot.com/
          http://blogueirasfeministas.com/
          http://aqueladeborah.wordpress.com/
          http://bordadosfeminista.blogspot.com/
          http://whothehelliscely.wordpress.com/
          http://krasis.wordpress.com/
          http://consciencia.blog.br/

          E a lista vai indo.

          “Não disse que não sou preconceituoso”: Sim, mas disse que não era sexista, e bem, o preconceito por si já engloba isso.

          “porque fomos condicionados a pensar assim”: OI? Mesmo com tantos exemplos, incluindo ASSÉDIO, o que te faz acreditar que não teríamos problemas?

          “existe para satisfazer um público masculino, mas as mulheres compram, algumas não só o material, mas também a idéia”: É, e simplesmente porque o mercado de jogos AINDA é predominantemente masculino. As mulheres compram por dois motivos: 1) As opções que NÃO segue essa linha é tremendamente escassa e 2) Mulheres TAMBÉM são machistas. A maioria é, aliás. Consequentemente, muitas delas obviamente vão alimentar essa visão objetificada das heroínas.

          “Anos atraz a Marvel estipulou cotas de personagens representando minorias e foi um fracasso total”: Links? Olha cara, não adianta representar uma minoria se ela é feita de uma maneira estereotipada. Mas bem, preciso dar uma olhada em algum dado mais preciso para comentar melhor.

          Não conheço esse anime, darei uma olhada. Dependendo do que for e da quantia de episódios, pode ser que eu faça uma análise posteriormente.

          • Vou dar uma checada nos links assim que possível. Pela sua explicação, eu entendi onde eu pisei no tomate. Muito provável eu tenha convivido com “extremistas” o que acabou me dando essa visão distorcida. Apenas queria explicar que minha visão não tende para direita ou esquerda, preto ou branco, e sim para opostos complementares.

            “OI? Mesmo com tantos exemplos, incluindo ASSÉDIO, o que te faz acreditar que não teríamos problemas?” – O Assédio (ou outros problemas) vem da educação. Um pai quer ver o “filho macho” sendo o pegador, então ele vai educar o filho para caçar a sua presa, muitas mães machistas fazem o mesmo. Obviamente levariam anos de re-educação social para esse comportamento mudar. O animal evolui e se adapta de acordo com as necessidades, não temos mais necessidade de povoar o planeta, ele já está cheio o suficiente, mas ninguém mudou o discurso de “ache uma mulher, e tenha muitos filhos”, para simplesmente “seja feliz e não force a barra”.

            Bom, sobre o que eu mencionei da Marvel, não tenho links, só a minha coleção que está em algum lugar do vortex atemporal do espaço-tempo, e os comentários de amigos meus que leram o mesmo na época.

            Sobre Twelve Kingdoms, achei esses 2 links, e acho que pode ajudar:
            http://www.animeshade.com/index.php?page=Juuni.Kokuki-01
            http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Twelve_Kingdoms

            • “Muito provável eu tenha convivido com “extremistas” o que acabou me dando essa visão distorcida”: É, extremistas preconceituosos que nunca leram sobre feminismo, no caso =P

              “Um pai quer ver o “filho macho” sendo o pegador”: Exatamente. Inclusive, o assédio e o estupro são defendidos pelos mascus se colocando como pobres coitados que não aguentam segurar seu instinto animalesco e precisa “distribuir sua sementinha por aí”. O problema é que como todo esse machismo e sentimento de superioridade por ter um pau no meio das pernas está tão arraigado que pessoalmente só consigo cogitar a possibilidade de termos banheiros misturados ou similares quando isso e o pudor já tiver acabado de vez.

              Viu, esse anime não é muito popular e nem muito novo, certo? Os links que eu achei pra baixar estão quase todos quebrados, incluindo o dessa página que você mandou =~

            • Em tempo, é bacana ver você se mostrando aberto em entender a diferença entre machismo e feminismo. Os outros que comentaram aqui que também demonstravam estar na mesma situação, além de outros que tentei criar um debate em outros lugares, ficavam rodando eternamente no assunto sem nenhum progresso ou só repetindo seu preconceito sem usar um pingo de discernimento e lógica. Então te parabenizo.

              • Fiquei tentada a comentar sobre essa confusão de “feminista” com “sexista”, mas acho que a Tais já conseguiu explicar.
                Recentemente eu voltei a jogar Perfect World, depois de muito tempo sem abrir o jogo, e me surpreendi com o quão as roupas da minha guerreira pertenciam a esses esteriótipos. Embora minha personagem estivesse vestindo calças compridas e mangas longas, a roupa tinha um grande decote e aberturas na coxa. E o pior é que eu nem fui capaz de perceber isso até começar a me envolver com essa questões de igualdade entre os gêneros.
                Acho errado dizer “mulher machista”, porque dá a impressão de que a mulher é a culpada ou se beneficia com isso, sendo que isso só a prejudica. Acho que “sexismo internalizado” faz mais sentido. Tais, acho que você já deve ter visto esse debate lá no FB, né?
                Sobre essas minorias e representações, recomendo esse ótimo texto sobre “Racismo e Normalidade”. http://papodehomem.com.br/racismo-e-normalidade-2/ Eu não conheço profundamente o Papo de Homem para julgar, só sei que, apesar do nome, não parece um site mascu, mas esse texto vale a pena, é inteligente e nos faz repensar sobre nossos preconceitos.

                • Ah, já aviso que tem umas imagens de personagens nuas que podem incomodar e são bem desnecessárias (nem por serem fotos nuas, mas por serem apenas de personagens mulheres nuas e em poses sensuais e etc). É uma pena que um texto que levante questões interessantes e discuta tão bem o racismo acabe reforçando essa ideia de “mulher objeto”.

                • Esse é um texto (Racismo e Normalidade) em que parte dele minha esposa tb já havia comentado comigo. Chega a ser engraçado como numca haviamos pensado nisso. Já li algumas coisas do Papo de Homem, e sim, os textos são bem inteligentes. E os textos (pelo menos os que eu li) que tratam de reflexões não seguem uma linha Masculinizada ou Feminista.

                  Bom, Joguei PWI por um tempo, mas sou mais ativo mesmo no Jade Dynasty. E se você está falando o Overseer Suit, bom, é o mais “dominatrix que eu conheço, só faltou o chicotinho.

                  Não considero errado o termo “mulher machista”. Minha sogra é machista. Para ela, a mulher tem que ficar em casa cuidando do marido, arrumando a casa, deixando tudo bonitinho. Ela realmente acredita nisso, embora seja um caso conflitante, porque ela não gosta de cozinhar, entre outras coisas. Não foi meu sogro que cultivou isso nela, foram as gerações passadas, coisa passada de mãe pra filha. A antiga história de que mulher que não é prendada não arruma marido (tive uma amiga que morou conosco, que a avó dela falava isso pra ela), e bem, minha esposa só foi aprender a cozinhar depois que fomos morar juntos.

                • Olha, eu já vi o termo “sexismo internalizado”, mas não cheguei a me aprofundar na definição por si só.

                  Pessoalmente tenho alguns desafetos com o PdH, pois se por um lado vez ou outra dá pra ver um texto aparentemente bacana como esse, tem muita coisa baseada em estereótipos e preconceitos que eles acabam postando. mas acredito que isso acontece por ter mais de um autor.

  9. Eu pensei a mesma coisa ao ver as primeiras imagens do Arkham City. Ok, a mulher gato sempre foi gostosa, bonita e vestida em roupas provocantes de couro. Mas a Harley Quinn é um doutora em psicologia (que ficou louca, é verdade)… por que ela se vestiria assim? Com tanta pele à mostra? Ela podia ficar tão melhor com um terno de palhaço tipo o do Coringa. E tem a Hera Venenosa tbm – ok, ela está sempre pelada (ou quase, pq gente pelada mesmo é quase tão absurdo qnt mulheres totalmente vestidas!), mas não precisa ter esse corpo todo, cobrir tão pouco com miseras folinhas. QUeria ver uma hera venenosa gordota, se não ia ser engraçado

  10. Pingback: “Pirinerd”: Porque chamar de attention whore é muito mainstream « Colchões do Pântano

  11. Pingback: “Tropes vs Women in Videogames” e Privilégio Masculino Sendo Vomitado « Colchões do Pântano

  12. “And that was when I shot him, your honour.”

    Nesse caso, “your honour” é como um australiano (ou britânico; um americano diria “your honor”) se dirige a um juiz. O equivalente em português seria…

    “E foi aí que eu atirei nele, meritíssimo.”

    …como se fosse o réu em um tribunal fazendo sua própria defesa. Se for um juiz de patamar mais alto (do STF, por exemplo), creio que diria até “vossa excelência”.

  13. “se ele falhar em um emprego, não vai ser extrapolado que todos os homens são incapazes para o emprego. ”

    Depende do emprego. Em profissões de cuidados, por exemplo, é dito que eles sejam absolutamente incompetentes para isso por causa do gênero.

    “Um homem que é obstinado e agressivo não será desprezado por isso, nem os homens socializados por “concordar para se dar bem””

    Mas se ele não for, é um ‘molenga’, um ‘acomodado’, um fracassado, etc. Não confunda privilégio com obrigação.

    “Um homem pode esperar para ter sua opinião considerada, sem ser demitido na hora por causa do seu sexo.”

    Nem sempre. E particularmente, nunca vi mulher sendo demitida por dar opinião. E se for pra falar sobre pessoas que procuram seus direitos, homens também são demitidos por isso. Não use daltonismo de gênero só para provar um ponto feminista.

    “Quando combinado com uma mulher que está com atribuições iguais, o homem pode esperar que a maior parte do mundo irá presumir que ele é o único responsável.”

    Isso é privilégio de chefe e não somente de homem. Uma equipe GIGANTE reformulou o Yahoo!, mas quem recebeu os créditos foi uma mulher, Marissa Meyer. Quanto mais mulheres chegarem ao cargo de chefia, mais glórias receberão.

    “E criticamente, um homem não tem que continuamente ver o mundo através das lentes da potencial violência e abuso sexual.”

    Não tem ou não faz? Morrem 11 vezes mais homens do que mulheres. Homens são as principais vítimas de qualquer tipo de violência que não seja sexual.

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