Comentando: Ella Enfeitiçada

A belíssima ilustração da capa na versão nacional, pintada por Renato Alarcão.

Há alguns anos, eu provavelmente ganhei esse livro de alguém. Já li inúmeras vezes, mas não consigo enjoar. Inclusive, já tive vontade de fazer uma história em quadrinho baseado nele (e até tentaria, se tivesse mais técnica e soubesse desenhar cenários). Assim, decidi trazê-lo pra cá.

Escrito por Gail Carson Levine e publicado no Brasil pela editora Rocco, Ella Enfeitiçada, com uma visível influência de Cinderela, é sobre uma garota que, ao nascer, recebe um “dom” concedida pela fada Lucinda, sua fada madrinha. O problema é que o feitiço deu a ela o dom da obediência. Ou seja, qualquer pessoa que desse uma ordem a Ella, ela tinha que obedecer, por mais absurda que fosse, inclusive com o risco de morte. Sempre que se recusava a obedecer, começava a sentir fortes dores e náuseas, que só paravam quando obedecia. Ella percebeu a gravidade do problema desde criança e tem lutado contra a vontade de obedecer desde então, tentando descobrir uma maneira de se livrar do feitiço e retardando seus efeitos.

Para piorar a situação, quando Ella fez 15 anos, ela e sua mãe, Eleanor, pegaram um forte resfriado. Mendy, a cozinheira da família, deu as duas uma sopa curativa com fios de unicórnio. Mas Eleanor tira os fios antes de beber a sopa, o que anulava o seu efeito. Sua saúde piorou e não demorou muito a falecer. Dessa forma, Sr. Peter, seu pai, decide se casar novamente com uma mulher desagradável, acompanhada de duas filhas com más intenções. A pressa de Ella em quebrar o encanto só aumenta ainda mais quando a irmã mais velha, Hattie, descobre seu segredo e a usa para fazer seus caprichos.

Lá pelo ano retrasado, minha irmã descobre que o livro ganhou filme. Na hora fiquei muito animada, imaginando que seria algo incrível. Mas não. Eu só passei raiva vendo aquela merda. Ganhando o nome clichê “Uma Garota Encantada” no Brasil, a adaptação da história é ridícula de ruim e os defeitos especiais fazem a festa. A caracterização dos personagens também deixou a desejar. Mas para não dizer que só tenho ódio no coração, há duas coisas que gostei no filme: O visual de Ella, fiel tanto à capa nacional quanto à original e a descoberta de um erro grosseiro na tradução do livro. Há um momento em que surgem elfos verdes na história, o que realmente não fazia sentido a princípio. Daí, vendo o filme, descubro que o correto eram duendes e não elfos, tudo porque “elf” significa ambas as coisas. Pura questão de contexto.

Enfim, eu vejo Ella Enfeitiçada quase que um simbolismo sobre a submissão das mulheres. Afinal, por causa da sua obrigação de obedecer todo mundo, ela mesma percebe que isso possivelmente a tornou rebelde, se é que isso já não era da sua natureza. A vontade de ser forte, independente e, mais ainda, de não ser uma marionete que poderia seriamente prejudicar a quem ama é um fator determinante para a quebra do feitiço (embora mesmo essa parte ficou um tantinho clichê, o que você vai entender ao ler o final). Então, como um todo, eu realmente recomendo que leiam o livro.

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3 comentários sobre “Comentando: Ella Enfeitiçada

  1. Quer dizer que essa ilustração da capa é pré-filme? Parece bastante com a Anne Hathaway mesmo, é impressionante.

    (vi um trechinho do filme passando na Record outro dia, mas peguei já quase no final.)

  2. Pingback: Comentando: Sozinha no Mundo « Colchões do Pântano

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