Comentando: Ark Angels

Hamu, Japhet e Shem, na capa do primeiro volume. Aparentemente uma das poucas imagens colorida oficiais que existem delas.

Antes, o primeiro trabalho da Sang Sun Park que comentei foi Tarot Cafe. Então aproveitei para reler Ark Angels e mencioná-lo aqui também.

A história é a seguinte: O planeta Terra em que vivemos está diretamente conectado com a Terra de outras dimensões, então se o planeta é destruído, os demais sofrem as consequências. Dessa forma, um homem conhecido como “O Lorde” faz uma reunião com vários representantes dos elementos, fadas, bruxas entre outros, para decidir o futuro da humanidade. Muito irado, ele deseja acabar com os humanos o quanto antes, mas Hamu, Japhet e Shem, que foram à reunião para substituir seu pai Noah, se manifestam à favor dos humanos. É aí que o próprio Terra surge para convencê-lo, ainda que na marra, que os humanos mereciam uma chance. Dessa forma, as irmãs recebem um relógio ambiental com a missão de salvarem as últimas espécies em risco de extinção e guardá-las em uma “Arca de Noé” (no formato de uma baleia). Assim, quando a humanidade aprender a conviver com a natureza, eles serão liberados novamente. Para cada espécie salva, um minuto do relógio retorna e mais distante torna-se a total extinção humana.

As garotas na "arca de Noé". A história acaba se baseando em algumas crenças bíblicas, sendo essa a mais óbvia.

Não sei exatamente qual era o objetivo de Sang Sun Park ao fazer este manhwa, se era pra passar alguma lição de moral mesmo ou simplesmente em aproveitar um assunto pouco usual nos quadrinhos. O que eu posso dizer quanto à história em si, é a quantia absurda de furos e confusões.

O primeiro problema é a tradução. Sério, ela tá muito cagada. Parte da culpa são dos tradutores responsáveis das editoras brasileiras (Lumus e New Pop) que publicaram o mangá por aqui baseando-se totalmente na tradução em inglês. Aproveitei que ainda existem scans disponíveis para comparar, e é praticamente idêntica. Nenhum erro foi consertado. E não digo só erros de concordância, mas também de gênero. Lorde, por exemplo, é citado como uma mulher no segundo volume. As irmãs são citadas no masculino entre uma conversa de Kirigi e Rikari, dois personagens importantes para a trama, em especial no último volume. E vale mencionar: Tarot Cafe sofreu do mesmo mal, mas numa proporção infinitamente menor.

Em relação aos furos, cito alguns:
1) No primeiro volume, quando as irmãs vão à procura de um príncipe para a grua americana, elas encontram um museu, com inúmeros animais empalhados. E lá tem um grou. Desde o começo é repetido várias vezes que a alma dos animais se assemelha a de… humanos. Ok, nada demais até aí. O problema é que as garotas veem a suposta alma do grou. Como diabos isso seria possível se ele tava empalhado??

2) Existe uma pequena contradição com uma citação do início, que diz “toda a vida é igual e preciosa”. Veja bem, elas não estão lá para proteger todos os animais, mas somente os que estão para ser extintos. Além disso, quando as irmãs passam a viver junto dos humanos como estudantes, há um momento em que Hamu pega um bolinho de lombo de porco à milanesa pra comer na hora do lanche. Porco é um animal, oras. E Japhet teria comido também, se Rikari não tivesse mentindo por dizer que aquilo era carne de cachorro de rua.

3) Há, pelo menos, duas situações em que Japhet quase conta os motivos que a obrigaram se fingir de garoto desde que começaram a missão. Mas nunca é justificado. Particularmente não achei nenhum motivo suficiente pra isso, na verdade.

4) Inicialmente, o relógio ambiental marca nove horas. A destruição dos humanos ocorreria ao bater meia-noite. Durante a história, vemos Shem, Japhet e Hamu salvando várias espécies, mesmo quando o processo do resgate de alguns não são detalhados. Elas têm poder suficiente para viajar em qualquer ponto do tempo e lugar. Mesmo assim, no último volume, o Terra avisa que são quase dez horas. Quero dizer, WTF?

Agora falando de algumas coisas boas: Se você achou a história de Tarot Cafe meio tensa demais, talvez simpatize com Ark Angels. Os personagens são bem mais caricatos, tanto que é visível a sátira que a autora faz ao mencionar os clichês de outros manhwas. Dá pra ver que os desenhos estão bem mais simplificados em comparação ao outro, mas sem perder o que há de mais marcante de Park.

Outro detalhe que eu simpatizei bastante, foram as ilustrações de cada capítulo. A maioria coloca as protagonistas em vários contos de fadas populares, como Bela Adormecida, Peter pan, Pinóquio, Branca de neve etc.

Enfim, eu penso que vale a pena conhecer a história, apesar dos problemas. São só três volumes e podem ser comprados no Banca 2000, também. Leiam, e digam se gostaram ou não nos comentários.

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