Comentando: Tarot Cafe

Pamela e Belus, na antiga Escócia

Sang Sun Park. É a autora desse ótimo manhwa (mangá coreano) que comento a seguir. Aproveitando que acabei de reler tudo, decidi contar um pouco da história aqui (contém alguns spoilers).

Pamela, a protagonista, é cartomante e dona de uma cafeteria em Londres. Ela atende pessoas comuns durante o dia e fregueses especiais à noite, variando entre elementais, vampiros, espíritos e por aí vai. Ela vive com Belus, ligados por um contrato: Pamela deve juntar as contas do colar de Berial e, em troca, poderá finalmente morrer.

Esse é o resumão básico da história. Mas além disso, é importante levar em conta o passado de Pamela: Nascida na escócia e com 11 anos em 1232, ela e sua mãe são injustamente acusadas de bruxaria. Sua mãe é queimada viva, mas Pamela é poupada e, ao ser atacada por lobos na floresta logo em seguida, é protegida por Ash, um dragão com forma humana. A partir daí, ela não só vive com ele, como vivem um forte relacionamento. Mais de 10 anos depois, um padre que fez pacto com o demônio consegue poder suficiente para matar Ash, pois apesar de dragões serem imortais, podem morrer ao serem amaldiçoados por alguém poderoso. E assim que Pamela encosta na primeira gota de sangue do coração de Ash, ganha a imortalidade, sem poder adoecer ou envelhecer. Seu maior objetivo na vida é morrer e se juntar a ele.

Cora, uma personagem importante para a trama.

Além do desmembramento dos segredos e pessoas que envolvem a vida de Pamela, também presenciamos a vida de alguns de seus clientes. A maioria implica em relacionamentos amorosos, como entre humanos e não-humanos e relacionamentos homoafetivos. Aliás, essa é uma característica forte em Tarot Cafe: muitos homens andrógenos e o afeto entre eles.

Muitas vezes o final é bem trágico, mas pra não dizer que o manhwa é um poço de depressão, Sang Sun Park consegue colocar pequenas doses de comédia e finais felizes entre algumas histórias. Como acontece no penúltimo capítulo do primeiro volume, em que uma fada foi amaldiçoada e aprisionada em corpo de criança e, para voltar ao normal, deve ajudar de coração aberto uma garota desajeitada. Agora, entre as histórias tristes, a que mais me corta o coração é, sem dúvida, o último capítulo do quinto volume, sobre uma criança abandonada pela mãe e cruelmente agredida pelo pai bêbado, mas que é salva por um espírito das árvores.

À medida que a história progride, pedaços de explicações sobre o passado de Pamela são contados, sem ter uma ordem cronológica linear. Por isso, se você for meio lerdo em ligar os pontos (como eu), muito provavelmente vai se surpreender com o último volume, em que tudo fica claro, sem pontas soltas.

Por fim, Tarot Cafe não é cativante só pela sua narrativa, como também pelos desenhos. Sério, eu me pergunto quanto tempo a autora levou pra fazer cada página. É simplesmente uma obra-prima! E se por um lado ela não poupa na riqueza de detalhes nos seus belos personagens e cenários, também consegue ilustrar coisas extremamente repugnantes com destreza.

Para quem estiver interessado, Tarot Cafe foi publicado pela editora New Pop, e todos os números podem ser encontrados na Banca 2000 (já comprei muito lá, recomendo). Existe também uma história avulsa, chamada “Caçada Selvagem”. Estou devendo de comprar esse.

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Um comentário sobre “Comentando: Tarot Cafe

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